Dois terços das mães têm problemas com a amamentação

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

08 junho 2012
  |  Partilhar:

Dois terços das mães são incapazes de amamentar durante o tempo que pretendiam, dá conta um estudo recentemente publicado na revista “Pediatrics”.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com a American Academy of Pediatrics os bebés deveriam ser exclusivamente alimentados com leite materno até aos seis meses de idade. Contudo, alguns estudos realizados nos EUA dão conta que poucas são as mães que conseguem cumprir este objetivo, não sendo nunca referido, contudo, quais os principais fatores que contribuem para esse facto.

 

Neste estudo realizado pelos investigadores do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), nos EUA, foi constatado que apesar de 85% das mães pretenderem amamentar os seus filhos até, pelo menos, aos três meses de idade, menos de um terço consegue atingir este objetivo. Contudo, aquelas que já foram mães e são casadas parecem conseguir amamentar durante mais tempo.

 

A amamentação uma hora após o nascimento parece ser também um fator importante para o sucesso do aleitamento materno. Por outro lado, as mulheres obesas, fumadoras ou que definem um período de aleitamento mais longo parecem apresentar maiores dificuldades em atingir os seus objetivos.

 

Adicionalmente, foi também verificado que quando os profissionais de saúde alimentam o bebé com leite artificial ou lhes dão chupetas, a probabilidade da mãe ter sucesso fica reduzida, provavelmente porque esta adota mais facilmente este tipo de alternativas. O estudo sugere que o aumento das “práticas hospitalares amigas das crianças”, nomeadamente através do incentivo da amamentação exclusiva, enquanto as mães permanecem no hospital, poderá ajudar a que estas cumpram os seus objetivos.

 

Estudos anteriores demonstraram que os bebés alimentados com leite materno tendem a ter menos problemas de saúde ao longo da vida. Contudo, estes resultados foram contestados por alguns investigadores que sugerem que as crianças alimentadas com leite artificial têm as mesmas probabilidades de terem problemas de saúde. Por outro lado, um estudo realizado pelos investigadores da University of Aberdeen e da University of Stirling e publicado no “BMJ” sugere que a meta dos seis meses sugerida pela OMS é excessivamente idealista e coloca as mães sob pressão.

 

O estudo agora publicado dá conta que as principais razões que levam as mulheres a desistir da amamentação incluem: um inicio do processo complicado, dado que muitas mães se sentem muito cansadas nos dias seguintes ao parto; a preocupação de saber se o bebé está a ser conveniente alimentado, pois é impossível saber que quantidade de leite é que o bebé ingere quando está a ser alimentado diretamente do leite materno; o desconforto de amamentar em público e a necessidade de regressar à sua vida profissional.

 

Deste modo é importante manter uma certa perspetiva e ter em conta que cuidar de um recém-nascido é, na maior parte das vezes, stressante e cansativo. Obviamente que a criação de metas é algo de admirável e as mães não devem desistir logo à primeira contrariedade. Contudo, tem de haver um equilíbrio entre os conselhos úteis e saudáveis e um regime que força e cria pressão sob as mães e consequentemente nos bebés.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.