Dois novos tipos de sangue foram identificados

Estudo publicado na “Nature Genetics”

28 fevereiro 2012
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Uma equipa internacional de investigadores identificou dois novos tipo de sangue, dá conta um estudo publicado na “Nature Genetics”.

 

Para além dos conhecidos sistemas de sangue ABO e Rhesus, a International Blood Transfusion Society, reconhece mais de 28 sistemas sanguíneos, cada um dos quais pode ser associado um gene distinto. Na verdade, a caracterização completa do sangue fornece o tipo de sangue para cada um dos 30 sistemas reconhecidos. Contudo, os sistemas Junior (Jr) e Langereis (Lan), agora descobertos, não constavam dessa lista.

 

Apesar de os sistemas ABO e Rhesus serem os mais conhecidos, saber qual o tipo de sangue para outros sistemas menos comuns é igualmente importante para evitar reações adversas após uma transfusão ou anemia hemolítica do feto nos casos de gravidez.

 

Apesar dos antigénios dos sistemas de sangue Lan e Jr já terem sido identificados há algumas décadas atrás, em mulheres grávidas que apresentavam incompatibilidade sanguínea com os fetos, a base genética destes antigénios era até então desconhecida.

 

Mas agora uma equipa de investigadores oriundos de França, Japão, Itália, e EUA, identificaram os genes que codificam estes dois sistemas, os quais podem ter várias implicações não só ao nível das transfusões sanguíneas e na obstetrícia, como também na medicina personalizada.

 

Os autores do estudo, liderados por Carole Saison and Virginie Helias, após terem desenvolvido anticorpos contra estes antigénios descobriram que o sistema Lan é codificado por um gene o ABCB6, que é conhecido por estar envolvido no bom funcionamento das células sanguíneas. Enquanto o sistema Jr é codificado pelo gene ABCG2, que está envolvido na remoção de substâncias tóxicas do organismo.

 

Assim as implicações dos resultados deste estudo são claras. Por um lado, os anticorpos desenvolvidos contra estes antigénios vão possibilitar a identificação das pessoas com tipo de sangue Lan e Jr, permitindo desta forma levar a cabo transfusões sanguíneas e gestações mais seguras. Mas a maior implicação deste estudo reside no seu impacto na genómica personalizada, onde se podem criar fármacos personalizados tendo em conta a genética de cada indivíduo.

 

Os genes ABCB6 e ABCG2 têm sido associados com resistência a múltiplos fármacos anticancerígenos. Assim, será interessante investigar como é que os indivíduos que são nomeadamente Lan positivos ou negativos respondem ao mesmo tratamento, de forma a conseguir ajustá-lo da melhor forma.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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