Doentes vegetativos: imagens cerebrais detetam possíveis recuperações

Estudo publicado na revista “The Lancet”

21 abril 2014
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Uma técnica imagiológica cerebral pode ajudar a determinar quais os indivíduos que em estado vegetativo têm o potencial de recuperar a consciência, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

Nos indivíduos com danos cerebrais severos, apurar o nível de consciência é uma tarefa complexa. Habitualmente são utilizados testes clínicos normalizados para decidir se o paciente se encontra num estado minimamente consciente, que respondem a alguns estímulos, ou se estão num estado vegetativo em que a probabilidade de recuperação é muito baixa. Contudo, mais de 40% dos pacientes são diagnosticados incorretamente através deste tipo de teste.
 

Neste estudo uma equipa internacional de investigadores avaliou a capacidade de duas técnicas imagiológicas cerebrais distinguirem se 126 pacientes com graves danos cerebrais se encontravam em estado vegetativo ou minimamente consciente. Estas técnicas incluíram a “tomografia por emissão de positrões” (PET) com o agente fluorodeoxiglucose (FDG) e uma ressonância magnética funcional (fMRI). Os resultados destes testes foram comparados com os obtidos através de uma escala de avaliação comportamental já bem consolidada, Coma Recovery Scale-Revised (CSR-R).
 

O estudo apurou que, no geral, e comparativamente com a fMRI, a FDG-PET foi mais eficaz a distinguir o estado de consciência ou de inconsciência dos pacientes. Comparativamente com a FDG-PET, a fMRI foi menos sensível no diagnóstico de o estado minimamente consciente (93% versus 45%), sendo os resultados pouco concordantes com os obtidos através da escala de avaliação. Os investigadores observaram ainda que a FDG-PET foi 74% mais precisa a prever a extensão de recuperação dos pacientes dentro do ano, comparativamente com os 56% obtidos com a fMRI.
 

Em um terço dos 36 doentes inicialmente diagnosticados, através do CSR-R, como tendo ausência de resposta comportamental, a FDG-PE mostrou que a atividade cerebral destes pacientes era consistente com a presença de alguma consciência. Na verdade, nove destes pacientes recuperaram um nível e consciência razoável.
 

“Os nossos resultados sugerem que a PET é capaz de revelar os processos cognitivos que não são visíveis através dos testes clínicos habituais, podendo portanto completar de forma substancial as habituais avaliações comportamentais na identificação dos doentes vegetativos que não reagem aos estímulos, mas que têm um potencial de recuperação a longo prazo”, conclui o líder do estudo, Steven Laureys, da Universidade de Liège, na Bélgica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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