Doentes renais beneficiam de terapêutica com estatina

Estudo apresentado no “American Society of Nephrology”

17 dezembro 2010
  |  Partilhar:

Cerca de um quarto dos enfartes agudos do miocárdio, AVC (acidente vascular cerebral) e das intervenções para desobstrução das artérias poderá ser evitado em pessoas que sofrem de doença renal crónica, através da toma conjugada de ezetimiba e sinvastatina, dá nota um estudo apresentado no “American Society of Nephrology”.

 

Investigações anteriores já tinham constatado que as estatinas, fármacos destinados a baixar os níveis do mau colesterol (LDL), reduziam o risco de enfarte agudo do miocárdio em pessoas com um normal funcionamento do sistema renal. Contudo, segundo explicou, em comunicado de imprensa, o principal líder deste estudo, Colin Baigent, “acreditava-se que o aumento dos níveis de colesterol não era uma causa importante para as doenças cardíacas ou enfartes em pessoas com doença renal crónica, pelo que a redução do colesterol não lhes traria benefícios.”

 

A contrariar essa ideia, o estudo SHARP (Study of Heart and Renal Protection), traz agora as primeiras provas concretas de que a redução do colesterol é também eficaz nos doentes renais e que os benefícios são substanciais.

 

O estudo envolveu quase 9.500 voluntários com 40 anos ou mais e que sofriam de doença renal crónica, recrutados em 380 hospitais de 18 países. Estes doentes em estudo tinham perdido cerca de 50% do normal funcionamento renal e um terço destes realizava tratamentos de diálise. Nenhum tinha sofrido enfarte agudo do miocárdio, AVC, nem tinha sido submetido a bypass ou de ‘stents’ para desobstruir as artérias do coração.

 

Para este estudo duplo-cego controlado com placebo foram seleccionados voluntários, de modo aleatório, os quais tomaram diariamente um comprimido composto por 10 mg de ezetimiba e 20 mg de sinvastatina para redução do colesterol ou um comprimido placebo. O tratamento e acompanhamento tiveram uma duração média de cinco anos.

 

A grande conclusão do estudo foi a de ter sido constatado que a longo prazo, a combinação de ezetimiba e sinvastatina reduzia o risco de enfarte agudo do miocárdio, AVC e da necessidade de intervenções para a desobstrução das artérias em cerca de um quarto das pessoas com doença renal crónica, independentemente da gravidade da doença. O estudo também constatou não terem sido observados quaisquer efeitos adversos graves nem, em particular, as anteriores reservas quanto à acção da ezetimiba sobre possíveis efeitos carcinogénicos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.