Doentes oncológicos não são tratados da mesma forma

Declarações do diretor-geral da Saúde

04 abril 2012
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Segundo o diretor-geral da Saúde, Francisco George, os portugueses com cancro não são todos tratados da mesma maneira e os rastreios oncológicos não funcionam da mesma forma ao longo do país.

 

“Temos de assegurar a equidade” no acesso aos rastreios e ao tratamento do cancro, revelou à agência Lusa o especialista em saúde pública, reconhecendo que esta nem sempre existe em Portugal.

 

A esse propósito, explicou que os rastreios não funcionam da mesma forma ao longo do país, nomeadamente para os casos de cancros como o do colo do útero, da próstata ou colon retal.

 

“Os cidadãos têm de ser diagnosticados e tratados da mesma forma, como têm direito”, defendeu. Francisco George lembrou ainda que quase um quarto dos portugueses morre antes de atingir os 70 anos e que, para tal, contribui de forma importante o cancro.

 

O responsável defendeu uma ação a três frentes: criação de normas de orientação em oncologia, a consolidação dos institutos portugueses de oncologia como instituições de referência e o reforço das redes regionais de proximidade dos carcinomas mais comuns.

 

Na apresentação da ONCOagenda, um documento elaborado por 17 peritos em saúde e oncologia, no qual é defendido um financiamento das estruturas oncológicas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que se adapte ao tipo de tratamento de cada tumor, o oncologista do IPO do Porto, António Araújo, lembrou os números de mortes por cancro no mundo: 7,6 milhões em 2008 que aumentará para 17,6 milhões em 2030.

 

“Um preço compreensivo por patologia, segundo uma tabela nacional rigorosa de atos e procedimentos (custo versus pagamento), baseado em linhas de orientação clínicas nacionais, independente das pessoas e com estímulos diferenciadores (de acordo com o índice de procura/referenciação do médico de família), permitiria um financiamento mais real e mais adequado a cada centro”, lê-se na proposta que os peritos vão entregar à tutela, à qual a agência Lusa teve acesso.

 

Os especialistas consideram que “esta forma de financiamento terá, necessariamente, que ter também em linha de conta o crescente uso das terapêuticas orais, devendo ser independente da forma ou local de administração (sistémica ou oral, em internamento ou ambulatório), e a utilização de cirurgia minimamente invasiva”.

 

Nesta lógica, permitir-se-ia que “as terapêuticas mais recentes (habitualmente, mais dispendiosas) fossem usadas em ambientes controlados nos centros de referência, possuidores de uma experiência maior na investigação clínica”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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