Doentes de VIH/sida escondem diagnóstico da entidade patronal

Estudo conduzido pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto

29 novembro 2012
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As conclusões de um estudo português indicam que a maioria dos portadores de VIH/sida não revelam a doença à entidade patronal porque receiam a discriminação e a perda do posto de trabalho.

 

Isabel Dias, investigadora do departamento de sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenadora do estudo “Diagnóstico da Infeção VIH/sida: representações e efeitos nas condições laborais”, afirmou que este é “um estudo inédito, uma vez que não havia trabalho de investigação no domínio do contexto e condições laborais”.

 

Baseado em 1600 infetados, o estudo apurou que apenas 15%dos doentes de VIH/sida que se encontram a trabalhar disseram ter informado a entidade patronal sobre o diagnóstico da mesma. As mulheres e as pessoas mais escolarizadas são as que menos revelam a doença em contexto profissional.

 

Os doentes que decidiram revelar a doença fizeram-no por confiarem nos colegas e por possuírem um sentido de responsabilidade relativamente à segurança de terceiros, sobretudo no caso de possíveis acidentes de trabalho.

 

O receio do despedimento que conduz à não revelação da doença é fundamentado, com 22,7%dos inquiridos a terem sido despedidos ou a terem-se despedido por pressão da entidade patronal. O desemprego atinge quase 27%da amostra do estudo, sendo que a doença fez com que 17% destes desempregados tivessem abandonado a procura de trabalho.

 

Este estudo demonstra que ter VIH/sida “não é apenas uma condição de saúde mas também uma condição social limitadora de oportunidades e processos”. Isabel Dias confessa ainda que a equipa de investigação esperava uma cultura de maior inclusão socioprofissional do que o verificado.

 

A maioria dos inquiridos pede um ajuste das condições de trabalho para os doentes de VIH/sida, como mais segurança, trabalho menos exigente física e psicologicamente, redução dos horários e escusa do trabalho por turnos. “Querem um ambiente de trabalho saudável, não discriminatório e ajustado às suas condições de saúde. Isto é uma ambição ou desejo de qualquer trabalhador com uma doença crónica”, conclui a coordenadora do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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