Doentes com cancro consideram que há “demasiadas burocracias” no acesso aos direitos

Resultados do inquérito “Cuidados de Saúde em Oncologia: a visão dos doentes”

30 outubro 2017
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A maioria dos inquiridos para um estudo sobre oncologia considera que são exigidas “demasiadas burocracias” a estes doentes para acederem aos seus direitos e que a luta contra o cancro não é uma prioridade para os políticos em Portugal, divulgou a agência Lusa.
 
Promovido pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), o inquérito “Cuidados de Saúde em Oncologia: a visão dos doentes” foi realizado para “analisar a perceção dos doentes e sobreviventes de doença oncológica sobre os cuidados de saúde em oncologia”, tendo contado com 333 respostas de doentes ou com antecedentes de doença oncológica.
 
O inquérito visou sinalizar as maiores preocupações em relação à doença e avaliar o impacto da doença no dia-a-dia do doente, entre outros aspetos.
 
De acordo com as respostas aos inquéritos, 56% sentem que lhes são exigidas demasiadas burocracias para terem acesso aos direitos que lhe estão consagrados por lei. 
 
Ainda na matéria do acesso, 64% disseram que preferem consultar o médico, em caso de dúvidas sobre doença e tratamento, com apenas três por cento a recorrem a associações de doentes, folhetos informativos e linhas de apoio com tal objetivo.
 
Em relação às preocupações com esta doença, a morte surge como a principal apreensão, com 32% a citá-la em primeiro lugar, seguindo-se o impacto físico e, em último, o embate financeiro.
 
No dia-a-dia do doente, os efeitos psicológicos foram o maior impacto da doença, com um aumento dos níveis de ansiedade e humor registado em 68% dos doentes, enquanto 60% elegeu o nível físico, com redução da mobilidade, náuseas e fadiga.
 
Entre os fatores que estes doentes mais valorizam, em primeiro lugar aparece a satisfação com a equipa médica (42%), seguindo-se a eficácia (43%), a segurança (39%) e a inexistência de efeitos secundários (37%) no tratamento.
 
Também a maioria dos inquiridos (60%), está de acordo que, em Portugal, “existem demasiadas assimetrias regionais no que diz respeito à prevenção e tratamento do cancro”.
 
Dos inquiridos, 71% considera que a luta contra o cancro não é uma prioridade para a classe política em Portugal e, para 60%, o governo não faz o investimento necessário para que os doentes tenham acesso às terapêuticas mais avançadas e eficazes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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