Doenças transmitidas por alimentos estão subdiagnosticadas

Alerta especialista

14 outubro 2016
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As doenças transmitidas por alimentos estão subdiagnosticadas e subnotificadas, alerta uma especialista em segurança alimentar, salientando que os dados recolhidos representam apenas “uma pequena fração” das doenças que ocorrem na realidade.
 

“Para a maior parte das doenças, o que é capturado pelas autoridades de vigilância da saúde públicas representa apenas uma pequena fração das doenças que ocorrem na realidade”, uma situação que “é transversal à maioria dos países”, referiu, à agência Lusa, Sara Monteiro Pires.
 

A investigadora do Instituto Nacional de Alimentação, da Universidade Técnica da Dinamarca, refere que há dados de vigilância epidemiológica recolhidos pela Direção-Geral da Saúde, mas “ainda há muita subnotificação e subdiagnóstico”, apesar do reconhecimento da importância da segurança alimentar ser crescente.
 

“Portugal não está nada atrás de outros países europeus a nível de segurança alimentar. As autoridades e a indústria têm tido um papel extraordinário, sobretudo na última década, para prevenir doenças de transmissão alimentar. O que falta são dados”, realçou.
 

O número de casos reportados é sempre inferior ao número de casos reais, até porque nem sempre as pessoas doentes vão ao médico: “As pessoas que têm uma gastroenterite, a maior parte das vezes, assumem que é autolimitante, que tem curta duração e que passa sem tratamento, e quando vão ao médico estes nem sempre requisitam uma amostra”, explicou a especialista.
 

Habitualmente, os casos reportados em Portugal estão associados a surtos, mais ou menos focados, num grupo de pessoas que consumiram alimentos contaminados e que ficaram doentes, o que leva a uma investigação e posterior notificação do surto.
 

As doenças transmitidas pelos alimentos apresentam diferenças regionais. As últimas estimativas para a região europeia alargada, que abrange cerca de 50 países, indicam que os agentes mais importantes são bactérias e vírus que causam gastroenterites diarreicas, nomeadamente a Campylobacter, a salmonela e o norovirus. Em Portugal, a salmonelose permanece no topo dos casos reportados.
 

“Há imensos fatores que contribuem” para este tipo de doenças, mas a maior parte está associada a agentes com origem animal.
 

A contaminação pode ocorrer nas várias fases da cadeia alimentar, mas a maior parte dos agentes acaba por morrer se os alimentos forem cozinhados de forma adequada.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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