Doenças transmitidas ao homem por animais podem aumentar

Consequências das alterações climáticas

15 julho 2004
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Doenças transmitidas ao homem pelos animais, como a febre da carraça, podem ser agravadas com as alterações climáticas em Portugal, de acordo com um estudo sobre a matéria apresentado esta semana em Lisboa.José Manuel Calheiros, um dos investigadores do projecto que estuda as alterações climáticas em Portugal - o SIAM -, alertou para a existência de doenças que podem ser problemáticas e às quais «não é prestada a devida atenção».A leischmaniose, doença que pode passar dos cães ao homem, é uma das apontadas pelo investigador como mais preocupantes. «É uma doença que já existe entre nós, é grave e pode ter repercussões sérias», sublinhou José Manuel Calheiros.Esta doença provoca febre e um aumento do tamanho do baço e do fígado e pode afectar, sobretudo, crianças e pessoas com um fraco sistema imunitário. Este tipo de doenças podem proliferar com o calor, já que os parasitas se desenvolvem e proliferam com altas temperaturas.No caso da leischmaniose há ainda um problema de sub- notificação em Portugal, já que muitos médicos ainda não informam as autoridades cada vez que surge um caso da doença. Segundo José Manuel Calheiros, entre 1995 e 2000 foram notificados 87 casos da doença, mas há conhecimento de 245 pessoas internadas. Outra doença, a leptospirose (transmitida ao homem sobretudo por roedores, como os ratos) pode desenvolver-se em condições climatéricas como a chuva ou durante cheias e inundações. «É uma doença grave, pode até ser mortal, e os sintomas são febre alta e mau estar geral. Entre 1996 e 2000 houve em média 59 casos por ano», explicou José Manuel Calheiros.Apesar de apelar às pessoas para não entrarem em alarmismo, o investigador disse ainda que «se fosse autoridade de saúde obrigava todos os restaurantes a ter ratoeiras e a fazerem análises aos ratos» para detectarem ou despistarem a doença.A febre da carraça é outra das doenças que existe em Portugal e que pode ser desenvolvida em períodos de mais calor, já que o tempo quente «favorece o desenvolvimento do parasita».José Manuel Calheiros aconselha a organização de programas de monitorização e vigilância deste tipo de doenças e considera necessário «reformular toda a visão prática da saúde, quer em Portugal quer nos outros países».Fonte: Lusa

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