Doenças reumáticas crónicas atingem três mil crianças em Portugal

Doentes esperam dois anos por uma consulta

31 outubro 2001
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«Ao longo da minha vida nunca me senti inferiorizada a não ser uma vez, nas candidaturas a uma faculdade em que me disseram que aquela escola não aceitava deficientes». Mariana Soares Pinote tem 23 anos e sofre de artrite idiopática juvenil desde os 6.
 

 

Mariana é apenas uma das cerca de mil crianças atingidas pelas Doenças Reumáticas Crónicas (DRC), das quais as artrites crónicas juvenis (idiopáticas) são as mais frequentes. Ao invés da ideia de que estas doenças só atingem os idosos, dados recentes demonstram que os primeiros sintomas acontecem mesmo no primeiro ano de vida.
 

 

Apesar de se considerar uma rapariga igual às outras e dos seus 23 anos, Mariana já tem um percurso que lhe permite encarar a vida de um modo diferente. «Por experiência própria, uma das coisas mais importantes para vencer a doença é a força de vontade, ou seja, a doença é que tem de viver dependente de mim e não eu dela. Vivo a minha vida como posso não por que estou limitada mas porque tenho limitações».
 

 

As doenças reumáticas crónicas (DRC) já atingem cerca de 3 mil crianças portuguesas, de acordo com dados apresentados pela Associação Nacional de Doentes com Artrites e Outras Doenças Reumáticas Infantis e Juvenis (ANDAI), durante o 4º Fórum de Apoio ao Doente Reumático.
 

 

De acordo com a Associação, apesar da evolução poder ser imprevisível, e não existir certezas quanto à cura de algumas destas doenças, poderão utilizar-se várias opções de tratamentos. De um modo geral, quando bem tratadas, cerca de 50% das crianças com DRC atingirão a idade adulta sem limitações articulares significativas ou mesmo curadas.
 

 

Dois anos à espera
 

 

Dois anos é, muitas vezes, o tempo que os doentes portugueses têm de esperar por uma consulta de Reumatologia, de acordo com a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPDCR).
 

 

Segundo Fernanda Ruaz, Secretária-Geral da LPDCR, o facto de em Portugal ainda não estar implementada uma Rede Nacional de Reumatologia contribui para que o doente tenha dificuldades na obtenção de um diagnóstico correcto e atempado da doença.
 

 

Em conjunto com as dores físicas existe, segundo conta a especialista, «o desgaste psíquico e emocional da dor contínua» e os «os custos elevadíssimos da medicação, difíceis de suportar, sobretudo para os aposentados por invalidez». O resultado contribui, diz Fernanda Ruaz, «para que existam doentes sem qualquer hipótese de se tratar».
 

 

Em Portugal estimam-se um milhão e duzentos mil doentes reumáticos. Destes, cerca de metade têm dificuldade de locomoção e cerca de 250 mil estão limitados para actividades da vida diária. Actualmente existem mais de 100 tipos diferentes de doenças reumáticas que hoje se constituem como a primeira causa de absentismo laboral e o motivo mais frequente de consulta médica.
 

 

Adaptado por: MNI - Médicos Na Internet
 

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