Doenças respiratórias responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia

Dados do relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias

29 janeiro 2014
  |  Partilhar:
Em 2012, as doenças respiratórias foram responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia, um aumento de 17% em relação ao ano anterior, dá conta o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).
 
O documento elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) e ao qual a agência Lusa teve acesso refere que, em 2012, morreram por doenças respiratórias 13.908 portugueses. A este número acrescem 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão. 
 
 “Estes valores são muito superiores aos óbitos por todas as outras causas que, praticamente, não variam desde 2005”.
 
Em relação às pneumonias e os cancros do aparelho respiratório, estes representam 60,29% dos óbitos por doenças do foro respiratório (10.805 em 17.920).O documento refere que houve um aumento da mortalidade em todas as patologias, à exceção da tuberculose, e uma relativa estabilização em relação aos cancros.
 
“Além do frio e das infeções virais, teremos de estar alertados para o facto de, em épocas de crise e de significativa diminuição do poder de compra, haver uma tendência, geralmente reconhecida, para o aumento das doenças respiratórias”, diz o relatório.
 
Os autores classificam estes dados de “preocupantes”, sublinhando que, em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infeciosas, nomeadamente nas pneumonias”.
 
Em matéria de internamentos por doenças respiratórias - asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe - em 2012 foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011).
 
Em 2012, as três principais causas de internamento por doenças respiratórias foram as pneumonias, a DPOC e as neoplasias.
 
Artur Teles de Araújo , relator do documento e membro da direção da FPP, , defende a articulação entre serviços para dar uma melhor resposta, principalmente num cenário de crise, como o atual.
 
Para justificar o lema deste relatório – “Prevenir a Doença, Acompanhar e Reabilitar o Doente” - a FPP considera que há "grandes lacunas: educação para a saúde insuficiente, escassa literacia em saúde, insuficiência de apoios no combate ao tabagismo, incompleta implementação da Rede de Espirometria, escassa sensibilização para as vantagens do exercício físico e erros na área da nutrição”.
 
No acompanhamento do doente, a Fundação identifica também falhas: “Falta de estratégias para promoção do diagnóstico precoce, insuficiências na acessibilidade e equidade nos cuidados de saúde, dificuldades no acesso aos medicamentos (roturas de stocks, elevado valor monetário desembolsado pelos doentes)”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.