Doenças psiquiátricas e obesidade: o papel de uma mutação

Estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”

12 outubro 2012
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A obesidade e as doenças psiquiátricas estão associadas à deleção, de uma parte do genoma que codifica para fator neurotrófico derivado do cérebro, dá conta um estudo publicado no “Archives of General Psychiatry”.
 

“Os cientistas tentam há muito encontrar uma região no genoma que desempenhe um papel importante na psicopatologia humana, procurando respostas em todo o ADN que justifiquem as causas genéticas destas doenças. Agora o nosso estudo identificou uma única região do genoma associada ao humor e ansiedade”, revelou em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Carl Ernst.
 

Estudos realizados em animais têm proposto que o fator neurotrófico derivado do cérebro, um fator de crescimento do sistema nervoso que desempenha um papel importante no desenvolvimento cerebral, poderia ter um papel importante nas funções cerebrais. Contudo, até à data ainda não tinha sido investigado o que ocorreria no caso de o gene ser eliminado do genoma.
 

Assim, de forma a tentar clarificar qual o papel do fator neurotrófico derivado do cérebro, os investigadores da McGill University, no Canadá, estudaram o genoma de 35.000 indivíduos que tinham sido referenciados para rasteiro genético e 30.000 indivíduos oriundos do Canadá, EUA e Europa que constituíram o grupo de controlo.
 

Do total dos participantes foram identificados cinco indivíduos com deleções no fator neurotrófico derivado do cérebro, sendo todos obesos, com um distúrbio intelectual moderado e tinham ainda uma doença psíquica. As crianças sofriam de ansiedade, eram agressivas, apresentavam défice de atenção e hiperatividade, enquanto os participantes que tinham ultrapassado a puberdade tinham distúrbios de ansiedade e eram depressivos. Foi também constatado que os participantes ganhavam peso à medida que envelheciam, o que sugere que a obesidade é também, ao longo do tempo, uma consequência da deleção do fator neurotrófico derivado do cérebro.
 

Este estudo permitiu um melhor conhecimento do comportamento humano através da identificação de genes que poderão estar envolvidos nos distúrbios mentais.
 

“O humor e ansiedade podem ser vistos como uma casa de cartas. As paredes da casa representam as interações biológicas que mantêm a estrutura. Estudar estas partes móveis é algo complexo, assim a identificação de um único evento é importante. A minha esperança está em que o aumento deste fator melhore a vida das pessoas com problemas de depressão e ansiedade”, conclui Carl Ernst.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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