Doenças neurodegenerativas: chave para o tratamento descoberta?

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

30 dezembro 2016
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A chave para o tratamento de doenças neurodegenerativas como a doença de Parkinson, de Huntington, de Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica, pode estar numa única proteína, sugere um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Estas condições são desencadeadas por um comportamento anormal de determinadas proteínas presentes no cérebro. Estas adquirem uma conformação alterada e acumulam-se nos neurónios provocando danos, e conduzindo, eventualmente, à morte das células cerebrais.  
 
Neste estudo os investigadores do Instituto Gladstone, nos EUA, utilizaram uma outra proteína, a Nrf2, para restaurar os níveis das proteínas causadoras da doença para uma gama saudável, impendindo consequentemente a morte das células cerebrais.
 
Os investigadores, liderados por Steven Finkbeiner, testaram a Nrf2 em dois modelos da doença de Parkinson, ou seja, células com mutações nas proteínas LRRK2 e alfa- sinucleína. Ao ativarem a Nrf2, os investigadores acionaram vários mecanismos de “limpeza” na célula para remover o excesso de LRRK2 e alfa- sinucleína. 
 
Gaia Skibinski, a primeira autora do estudo, referiu, num comunicado divulgado pelo Instituto Gladstone que, a “expressão amentada da Nrf2 em modelos celulares para a doença de Parkinson teve um efeito enorme”. 
 
Para o estudo os investigadores utilizaram neurónios de ratinhos e humanos criados a partir de células estaminais pluripotentes. Posteriormente os neurónios foram programados para expressar a Nrf2, bem como as proteínas LRRK2 e alfa- sinucleína mutadas. 
 
Através da utilização de um microscópico robótico, os cientistas foram capazes de monitorizar cada neurónio individualmente ao longo de uma semana tendo descoberto que a Nrf2 ajuda a remover, de forma diferente, as proteínas LRRK2 e alfa- sinucleína mutadas das células. No que diz respeito à LRRK2, a Nrf2 faz com que esta proteína forme agregados que podem permanecer na célula sem danificá-la. Quanto à alfa- sinucleína, a Nrf2 acelera a degradação e eliminação da proteína, reduzindo os níveis da proteína na célula. 
 
Steven Finkbeiner, um outro autor deste estudo, disse estar muito entusiasmado com esta estratégia para o tratamento de doenças neurodegenerativas. “Testámos a Nrf2 em modelos da doença de Huntington, de Parkinson e na esclerose lateral amiotrófica e é a terapia mais protetora que encontrámos até à data”.
 
 ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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