Doenças: mulheres são diagnosticadas mais tarde que os homens

Estudo publicado na “Nature Communications”

14 março 2019
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As doenças são descobertas mais tarde, pelos sistemas de saúde, nas mulheres em relação aos homens, demonstrou um estudo recente. 
 
Conduzido por uma equipa de investigadores de várias instituições, incluindo a Faculdade de Saúde e de Ciências Médicas da Universidade de Copenhaga, Dinamarca, o estudo empregou dados de toda a população dinamarquesa, abrangendo um total de 6,9 milhões de pessoas.
 
A população foi dividida em dois grupos, consoante o sexo. Os investigadores analisaram a ocorrência de todos os tipos de doenças, morbidade múltipla e cuidados ao paciente, durante um período de 21 anos, entre 1994 e 2015. 
 
Foi descoberto que as mulheres eram, em média, mais velhas quando recebiam os diagnósticos, em relação aos homens. A sequência total do curso de cuidados ao paciente era diferente e com fases diferentes entre as mulheres e os homens.
 
As mulheres tinham sido diagnosticadas, em média, quatro anos mais tarde do que os homens em 770 doenças. O cancro tinha sido diagnosticado em média dois anos e meio mais tarde nas mulheres em relação aos homens. Relativamente às doenças metabólicas, como a diabetes, as mulheres tinham sido diagnosticadas em média quatro anos e meio após os homens.
 
O diagnóstico de transtorno do défice de atenção com hiperatividade apresentava uma diferença de quase seis anos entre rapazes (cerca dos 14 anos) e raparigas (cerca dos 20 anos). Os autores explicaram que a razão desta diferença poderá ser devido ao facto de as mulheres, ao contrário dos homens, terem um subtipo diferente do transtorno que se manifesta de forma mais calma e solitária.
 
A osteoporose foi a exceção observada no estudo, que foi detetada normalmente nas mulheres antes de sofrerem uma fratura, enquanto que nos homens o diagnóstico aconteceu normalmente quando recorriam às urgências com uma fratura óssea.
 
A equipa não sabe ainda se as diferenças entre os dois sexos, na altura de receber os diagnósticos, serão devidas a fatores genéticos, meio-ambiente critérios de diagnóstico ou uma mistura de todos. Porém, recomendam os autores, as estratégias nacionais deverão ter em conta os presentes achados, em vez de considerarem um único modelo para todos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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