Doenças mentais: qual a extensão da sobreposição genética?

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

14 agosto 2013
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Investigadores americanos descobriram que as cinco principais doenças mentais têm variações genéticas comuns, dá conta um estudo publicado na “Nature Genetics”.

 

Os investigadores da Psychiatric Genomics Consortium verificaram que a maior sobreposição foi encontrada entre a esquizofrenia e a doença bipolar. Entre a doença bipolar e a depressão, bem como entre o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e a depressão a sobreposição foi moderada e entre a esquizofrenia e o autismo esta foi baixa. No total, as variações genéticas comuns foram responsáveis por cerca de 17 a 28% do risco de desenvolver doença.

 

No início deste ano, os investigadores tinham encontrado evidências no que diz respeito à sobreposição das cinco doenças. Foi verificado que as pessoas que sofriam destas condições apresentavam um maior risco de apresentarem variações nos mesmos quatro locais dos cromossomas. Contudo, ainda não tinha sido apurada a extensão em que estas sobreposições ocorriam.

 

Neste estudo, os investigadores analisaram a variabilidade das variações genéticas em milhares de pessoas que sofriam de uma das cinco doenças e em indivíduos saudáveis, tendo conseguido apurar em que medida as doenças estavam associadas às mesmas variações genéticas.

 

A sobreposição atribuída às variações genéticas comuns foi cerca de 15% entre esquizofrenia e doença bipolar, cerca de 10% entre doença bipolar e depressão, cerca de 9% entre esquizofrenia e depressão, e cerca de 3% entre a esquizofrenia e o autismo.

 

“Uma vez que apenas analisámos as variações genéticas comuns, a sobreposição total entre as doenças foi elevada”, explicou uma das colíderes do estudo, Naomi Wray. A investigadora acrescentou ainda que as variantes partilhadas com poucos efeitos, as variantes raras, as mutações, as duplicações, as deleções e as interações genéticas e ambientais também contribuem para todas estas doenças.

 

Os investigadores referem que, caso as evidências genéticas que associam a esquizofrenia à depressão sejam replicadas, estas poderão ter importantes implicações no diagnóstico e investigação destas doenças.

 

Os autores do estudo acrescentam que estavam à espera de encontrar uma maior sobreposição entre o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e o autismo, mas a associação moderada entre a esquizofrenia e o autismo é consistente com os resultados de outros estudos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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