Doenças mentais acentuam-se cada vez mais devido à crise

Portugal necessita de 2.000 novos enfermeiros

27 junho 2012
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Portugal necessita de 2.000 novos enfermeiros especializados na área da saúde mental para fazer face a uma problemática que afeta 18% da população e que se tem agravado devido à crise, defendeu hoje um especialista.

 

O professor da Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Joaquim Passos, revelou à agência Lusa que, em Portugal apenas existem, neste momento, 1.000 enfermeiros especializados em saúde mental, o que fica “muito aquém” das necessidades.

 

“Sobretudo agora, com a crise que vem agravar a problemática da saúde mental. As depressões estão a subir a pique, as perturbações de ansiedade e de humor são cada vez mais”, acrescentou.

 

O responsável disse que o aumento do número de enfermeiros especializados também é necessário para a mudança de paradigma no tratamento dos doentes, preconizado no Plano Nacional de Saúde Mental 2007/2016.

 

Joaquim Passos explicou que a mudança de paradigma passa pelo fim dos grandes hospitais psiquiátricos, outrora conhecidos como hospícios ou manicómios, para diminuir o estigma da institucionalização, e pela aposta num tratamento “de proximidade, mais concentrado na comunidade em que o doente está inserido, sempre que possível no seio familiar”.

 

Um tratamento que “terá de passar por uma monitorização e acompanhamento permanentes”, para evitar que os doentes tenham necessidade de voltar a ser institucionalizados.

 

Joaquim Passos sublinhou que, para isso, é “fundamental” investir na formação de enfermeiros especializados, mas também em estruturas e em meios, para alargar a “rede de suporte” aos doentes mentais. “É preciso investir a sério nesta área, que tem cada vez mais acuidade no contexto da sociedade ocidental”, frisou.

 

Em toda a Europa serão necessários, até 2030, 500 mil novos enfermeiros especializados em saúde mental.
Os números mais recentes da Comissão Europeia estimam que na Europa existam perto de 80 milhões de pessoas (cerca de 18% da população) com algum tipo de doença mental.

 

“Em Portugal, os números também andam por aí e em alguns casos serão até superiores”, garantiu Joaquim Passos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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