Doenças inflamatórias: novas alternativas de tratamento mais seguras

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

21 janeiro 2015
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Investigadores americanos descobriram uma forma de impedir a inflamação sem os habituais efeitos secundários associados à toma prolongada de glucocorticoides, um fámaco utilizado no tratamento de doenças inflamatórias crónicas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

A inflamação faz parte da resposta imunitária natural do organismo, contudo uma resposta inflamatória excessiva pode causar danos nos tecidos. A inflamação crónica (ou seja, persistente) está presente em várias doenças como a artrite, a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), infeções do ouvido e obesidade.
 

Existem vários tratamentos para doenças inflamatórias crónicas, mas os glucocorticoides estão entre os mais comuns. No entanto, de acordo com os investigadores da Universidade do Estado da Geórgia, nos EUA, ainda não é perfeitamente clara a forma como os glucocorticoides reduzem a inflamação crónica.
 

Estudos anteriores sugeriram que os glucocorticoides se ligavam aos recetores dos glucocorticoides antes de suprimirem os reguladores pró-inflamatórios, como o factor nuclear-kB (NF-kB) ou ativador de proteína 1 (AP-1).
 

Neste estudo os investigadores, liderados por Jian-Dong Li, constataram que os glucocorticoides também aumentavam a expressão de uma proteína, a IRAK-M, a qual desempenha um papel importante na regulação das vias inflamatórias.
 

Através da realização de experiências realizadas em ratinhos com inflamação desencadeada pela infeção da Haemophilus influenzae, bactéria causadora da meningite e artrite séptica, os investigadores verificaram que o aumento da expressão de IRAK-M com glucocorticoides reduziu a inflamação. Por outro lado, a utilização de glucocorticoides nos ratinhos que não expressavam a IRAK-M não teve qualquer efeito na inflamação. De acordo com os investigadores, o aumento da expressão da IRAK-M bloqueou a atividade de duas proteínas envolvidas no desenvolvimento da inflamação.
 

Com base nestes resultados, os investigadores acreditam que é possível desenvolver uma nova classe de fármacos capazes de combater a inflamação induzida por bactérias. Os autores do estudo referem ainda que estes fármacos poderiam eliminar os efeitos colaterais associados à toma prolongada dos glucocorticoides, como retenção de fluidos, pressão arterial elevada, aumento de peso e de risco de infeção.
 

"As doenças inflamatórias crónicas podem prolongar-se durante meses e anos, por isso é necessário ter um medicamento que possa ser utilizado para tratar a inflamação de longo termo sem efeitos colaterais", conclui Jian-Dong Li.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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