Doenças infecciosas matam 17 milhões de pessoas por ano

Conferência debate linhas de combate

09 outubro 2002
  |  Partilhar:

As doenças infecciosas provocam anualmente 17 milhões de mortes, 95 por cento das quais nos países em vias de desenvolvimento, indicam os números avançados numa conferência patrocinada pela OCDE que ontem terminou em Lisboa.
 

 

Malária, vírus da imunodeficiência adquirida (VIH) e tuberculose representam metade do total das mortes por doenças infecciosas, de acordo com os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos).
 

 

A conferência, sob o tema "Biotecnologia para as Doenças Infecciosas", reuniu desde segunda-feira na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), Lisboa, mais de cem especialistas, envolvendo investigadores e representantes da indústria farmacêutica de todo o mundo.
 

 

"Malária, tuberculose e sida são as três principais doenças infecciosas que, até há meia dúzia de anos, afectavam sobretudo os países tropicais e não interessavam grandemente aos países da OCDE, uma espécie de clube das nações mais desenvolvidas", explicou à Agência Lusa Alexandre Quintanilha, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto e organizador da conferência.
 

 

Mundo global
 

 

Actualmente, a situação mudou radicalmente, já que "estas doenças invadiram" os países desenvolvidos e, há cerca de dois anos, os países da OCDE concordaram em ter uma primeira reunião para discutir o problema.
 

 

A necessidade de uma maior cooperação e desenvolvimento de parcerias entre governos, organizações não governamentais e representantes da indústria biofarmacêutica dos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento foram algumas das principais conclusões da conferência.
 

"Não é aceitável que 72 por cento da população mundial tenha acesso a 11 por cento dos medicamentos disponíveis", sublinha o documento de conclusões da conferência.
 

 

Combate
 

 

É que, além de um grave problema de saúde, as doenças infecciosas têm um elevado custo económico, que poderia ser minorado pela aposta no desenvolvimento de medicamentos e vacinas.
 

 

Por exemplo, acrescenta o documento, cada dólar (valor aproximado ao euro) investido numa vacina contra o sarampo, papeira e rubéola permite poupar 16 vezes mais em cuidados de saúde. "No entanto, as vacinas representam apenas 3 por cento do mercado de medicamentos", refere o documento.
 

 

As razões são várias e vão desde a inexistência, à data, de vacinas para todas as doenças infecciosas, até ao pouco interesse das indústrias farmacêuticas em investir neste tipo de fármacos, economicamente menos interessantes que outros medicamentos.
 

 

Esta conferência recolheu também alguns exemplos concretos da forma como a cooperação pode funcionar localmente.
 

Por exemplo, na Índia e no Brasil, pequenas companhias farmacêuticas contactaram as universidades locais para saber quais eram as necessidades específicas das populações, direccionando a sua pesquisa nesse sentido.
 

As conclusões desta conferência vão ser apresentadas, de forma preliminar, ao grupo de trabalho em Biotecnologia da OCDE que se reúne em Novembro, estando previsto o lançamento de um relatório final no prazo de um semestre.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.