Doenças de pele poderão ser tratadas com compostos derivados do veneno de uma formiga

Estudo publicado na “Scientific Reports”

13 setembro 2017
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Cientistas da Emory e Case Western demonstraram num modelo de ratinhos para a psoríase que compostos derivados do veneno da formiga-de-fogo conseguem reduzir a espessura e inflamação de pele.
 
Estes resultados, que vão ser publicados na revista “Scientific Reports”, podem conduzir a novos tratamentos para a psoríase, uma doença cutânea autoimune muito comum. Os esteroides tópicos são atualmente usados com frequência na psoríase leve a moderada, mas têm efeitos secundários como fragilidade da pele. 
 
As solenopsinas são o principal componente tóxico do veneno da formiga-de-fogo. Quimicamente, elas são parecidas com as ceramidas, moléculas semelhantes aos lípidos essenciais para manter a função de barreira da pele. As ceramidas podem ser encontradas em muitos produtos para cuidados da pele.
 
As ceramidas podem ser uma faca de dois gumes, afirma Jack Arbiser, o autor do estudo e professor de dermatologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Emory, nos EUA. Em determinadas condições, elas podem ser convertidas pelas células em S1P (esfingosina-1-fosfato), uma molécula inflamatória.
 
A equipa de Arbiser desenvolveu dois análogos da solenopsina que se assemelham às ceramidas mas que não são decompostas em S1P. Seguidamente, testaram-nos num modelo de ratinhos para a psoríase, aplicando os compostos num creme para a pele com uma percentagem de 1% durante 28 dias.
 
Os ratinhos tratados com os análogos de solenopsina apresentaram uma diminuição da espessura da pele comparativamente ao grupo de controlo (cerca de 30%). Os ratinhos tratados também tinham menos células imunes infiltrando a pele (cerca de 50% menos). Quando aplicados a culturas de células imunes, os compostos diminuíram a produção pelas células do sinal inflamatório IL-22 e aumentaram a produção do sinal anti-inflamatório IL-12.
 
“Acreditamos que os análogos de solenopsina contribuem para um restabelecimento total da função de barreira da pele”, afirma Arbiser. “Os emolientes podem acalmar a pele na psoríase, mas não são suficientes para restabelecer a barreira”. 
 
Os cientistas observaram também as alterações nos padrões de atividade dos genes na pele dos ratinhos depois do tratamento. A aplicação do análogo de solenopsina desativa os genes que são ativados pelos tratamentos atuais, como esteroides e luz ultravioleta.
 
“Isto pode ser um mecanismo compensatório e de resistência à terapia antipsoríase, e sugere que os compostos de solenopsina podem ser usados em combinação com as abordagens existentes”, esclarece Arbiser. 
 
O seu laboratório já tinha mostrado que a solenopsina é um inibidor do crescimento dos vasos sanguíneos e tem potencial como agente anticancerígeno. A toxicidade sistemática dos derivados da solenopsina não foi testada, mas Arbiser afirma que a toxicidade sistemática não exclui necessariamente o uso em doenças cutâneas, citando o exemplo da aplicação externa da toxina botulínica. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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