Doenças de África hoje. Doenças da Europa amanhã.

É o desafio global num mundo sem fronteiras

11 setembro 2002
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Cerca de 90 por cento dos casos de Sida registados em 2001 foram diagnosticados em países em desenvolvimento, situação que deve ser encarada como desafio global num mundo sem fronteiras, de viajantes e imigrantes.
 

 

Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS) e foram referidos por Francisco Antunes no encerramento do 3/o Congresso Europeu de Medicina Tropical e Saúde Internacional, que decorreu em Lisboa entre domingo e hoje.
 

 

"Para enfrentar o desafio global da explosão na transmissão destas doenças é altura de agir, e o sucesso da acção está ligado ao compromisso político", afirmou o perito do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) e presidente da organização do congresso.
 

 

O encontro, que reuniu cerca de 800 investigadores europeus e um pouco de todo o mundo (Ásia, África, Médio Oriente) no Centro de Congressos de Lisboa, foi "uma oportunidade para discutir em conjunto problemas que afectam milhões de pessoas atingidas por doenças que se podem prever e tratar nos países em desenvolvimento, especialmente em África", disse Francisco Antunes.
 

 

Os quatro dias de trabalhos serviram ainda para apresentar resultados de investigações recentes nesta área, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento de medicamentos e vacinas para doenças tropicais.
 

 

A Malária, Tuberculose e Sida são a face mais visível deste tipo de doenças, mas outras como o Dengue, Meningite ou Diarreia estiveram também em discussão pela sua incidência no continente africano, em especial na região sub-saariana.
 

 

Lembrando o sucesso de programas financiados pela OMS e o Banco Mundial no ataque a doenças como a de Chagas, Francisco Antunes considerou que a Malária, Tuberculose e Sida são uma emergência global de saúde.
 

 

"A magnitude destes problemas tornou-se dramaticamente pior nos últimos anos, devido a uma deterioração no controlo e ao crescimento da população", disse.
 

 

Além disso, a combinação Tuberculose/Sida agrava e acelera o processo de evolução de outras doenças, aumentando o risco de multi-resistência aos medicamentos.
 

 

Segundo a OMS, o HIV afectou 40 milhões de pessoas em 2001, com cerca de 90 por cento dos casos diagnosticados em países em desenvolvimento, principalmente na África sub-saariana.
 

 

"A maioria das pessoas em risco nessas áreas não tem acesso a preservativos e a medicamentos essenciais no tratamento do HIV", indicou.
 

 

Mesmo assim, a Malária é a mais importante doença tropical, com um saldo superior a 270 milhões de casos e mais de 1 milhão de mortos por ano.
 

 

Apesar de existir em 100 países está essencialmente confinada às áreas tropicais mais pobres da África, Ásia e América Latina, constituindo um sério risco para os viajantes e imigrantes, lembrou.
 

 

"O crescimento da população, o processo de urbanização e o aumento das viagens criam uma base favorável para que estas doenças se espalhem e disseminem, aumentando o risco de maiores epidemias", explicou.
 

 

"Prevenção e controlo são as principais estratégias para a eliminação global destas pragas", defendeu.
 

 

Por isso é necessário um esforço na educação para a saúde, dinamizar mudanças de comportamento e promover boas condições sanitárias, acrescentou.
 

 

"É também necessário um maior investimento dos governos dos países ricos, companhias farmacêuticas e agências de investimento", que se investiguem as doenças tropicais e desenvolvam, avaliem e implementem medicamentos eficazes e vacinas, defendeu Francisco Antunes.
 

 

Até porque, referiu, "nada impede que as doenças tropicais cheguem à Europa, uma vez que os imigrantes podem transportá-las em si".
 

 

O Congresso Europeu de Medicina Tropical e Saúde Internacional realiza-se de dois em dois anos sob os auspícios da Federação das Sociedades Europeias para a Medicina Tropical e Saúde Internacional.
 

 

Segundo Francisco Antunes, a vitória da candidatura portuguesa à organização do evento deveu-se ao facto do IHMT comemorar este ano o seu centenário, o que o torna no quarto instituto do ramo mais velho do mundo, depois do de Hamburgo, Liverpool e Londres.
 

 

Fonte:Lusa

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