Doenças crónicas: tratamento pode estar mais perto

Estudo publicado na “Nature”

10 outubro 2011
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Uma equipa de investigadores americanos descobriu o mecanismo imune que bloqueia a inflamação gerada pelo stress oxidativo, dá conta um estudo publicado na “Nature”.

 

Doenças como a aterosclerose e a degenerescência macular associada à idade, a causa mais comum de cegueira entre os idosos nas sociedades ocidentais, estão fortemente associadas ao aumento do stress oxidativo. O stress oxidativo é o processo através do qual as proteínas, lípidos e DNA são danificados por radicais livres de oxigénio e pelos resíduos celulares acumulados, o que conduz a uma resposta inflamatória por parte sistema imune inato, resultando no aparecimento da doença crónica. Neste estudo, os investigadores da University of California, nos EUA, identificaram uma proteína que se liga a uma molécula gerada pelo stress oxidativo, bloqueando qualquer resposta imune inflamatória subsequente.

 

Os investigadores descobriram que, quando os lípidos encontrados nas membranas celulares se degradam através do stress oxidativo, eles originam vários produtos reactivos, incluindo um composto conhecido por malondialdeído (MDA). Este composto, por sua vez, modifica outras moléculas para criar novos epitopos (porção de um antigénio capaz de gerar a resposta inflamatória do sistema imune inato) de oxidação específicos.

 

O estudo revelou que o MDA atrai uma proteína do sistema imunológico conhecida como factor de complemento H, que, ao ligar-se a este, bloqueia eficazmente a fagocitose de proteínas modificadas pelo MDA levada a cabo pelos macrófagos, um tipo de glóbulo branco que é capaz de matar e eliminar substância e invasores estranhos.

 

Através de experiências realizadas in vivo, os investigadores constataram que o factor de complemento H neutraliza o efeito inflamatório do MDA nas retinas dos ratinhos, limitando, deste modo, a resposta inflamatória associada à degenerescência macular associada à idade. Foi também descoberta uma mutação específica no factor de complemento H, que está associada a um risco de cerca de quatro a sete vezes maior de desenvolver esta doença oftalmológica, que diminui bastante a capacidade de o factor de complemento H se ligar ao MDA.

 

Em comunicado enviado à imprensa, o líder do estudo, Christoph J. Binder, revelou que o papel protector do factor de complemento H representa uma nova abordagem terapêutica para o tratamento da degenerescência macular associada à idade, doenças cardíacas e outras doenças crónicas. “Esta actividade do factor de complemento H pode ser utilizada para o desenvolvimento de agentes neutralizadores que mimetizem esta função."

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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