Doenças crónicas hepáticas: o papel de uma hormona digestiva

Estudo publicado na revista “Hepatology”

20 maio 2016
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Níveis elevados de uma hormona digestiva, a secretina, podem desempenhar um papel importante no controlo de determinadas doenças crónicas hepáticas. Estes achados publicados na revista “Hepatology” podem conduzir a novas formas de tratar a doença hepática colestática.
 
Os investigadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade A&M do Texas, nos EUA, descobriram que um antagonista específico do recetor da secretina, que bloqueia a ação da secretina, diminui a fibrose do fígado associada à colestase em modelos de animais. A fibrose, uma acumulação de tecido fibroso, pode eventualmente ocorrer na maioria do tecido hepático, resultando na cirrose, insuficiência renal ou cancro do fígado.
 
Alguns estudos anteriores realizados pelos mesmos investigadores demonstraram que a secretina poderia conduzir à proliferação de colangiócitos (células epiteliais que revestem o ducto biliar) e bloquear a secreção da bílis. Quando um indivíduo que não tem doença hepática come, a vesícula biliar liberta bílis no intestino delgado para ajudar à digestão e à absorção de gordura. Uma parte importante deste processo são os colangiócitos, que são as únicas células do fígado que produzem secretina. 
 
Gianfranco Alpini, o líder do estudo, refere que o estudo também demonstrou que, comparativamente com o observado nos indivíduos saudáveis, a via secretina/recetor da secretina é ativada em amostras de tecido humano de pacientes com doença hepática colestática.
 
Na opinião do investigador, o estudo do efeito da secretina noutras áreas do organismo, como o cérebro e o coração, pode também fornecer mais informação sobre como esta hormona neuroendócrina funciona fora do trato gastrointestinal. 
 
Apesar de na maioria das vezes o problema ser a proliferação excessiva, há indivíduos que têm perda de ductos biliares, que levam a bílis para o intestino delgado para a digestão. Estranhamente, estas condições podem causar problemas digestivos semelhantes aos da fibrose, pois ambos fazem com que a bílis se acumule no fígado em vez de fluir para onde é necessária. No entanto, a secretina poderia ser, teoricamente, utilizada para tratar este problema e estimular o crescimento biliar.
 
“É emocionante termos conseguido identificar a via de sinalização específica nos colangiócitos que talvez possa ser um alvo terapêutico na doença colestática. Se atuarmos suficientemente cedo, talvez sejamos capazes de ter por alvo estas via para retardar o início da fibrose, e isto vai impedir que algumas células não sejam danificadas e que o problema resulte em última análise em insuficiência hepática”, concluiu uma da das autoras do estudo, Shannon Glaser,
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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