Doenças cerebrais podem-se manifestar na retina

Estudo publicado na revista “Human Molecular Genetics”

06 outubro 2016
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As doenças do sistema nervoso central podem-se manifestar como alterações patológicas na retina do olho. O estudo publicado na revista “Human Molecular Genetics” sugere que o exame ocular pode ser utilizado como uma ferramenta de rastreio não invasiva para as doenças cerebrais humanas.
 

A retina é um tecido sensível à luz que pode ser considerado parte integrante do sistema nervoso central. Durante o desenvolvimento fetal, desenvolve-se a partir de uma parte do cérebro e a sua inervação assemelha-se à do cérebro. A estrutura e função da retina podem ser analisadas através de métodos não invasivos ou minimamente invasivos, enquanto a análise direta do cérebro tem várias limitações.
 

Neste estudo, cientistas da Universidade da Finlândia Oriental analisaram anomalias funcionais na retina, utilizando modelos de ratinho para doenças do sistema nervoso central humanas.
 

Para o estudo os investigadores, liderados por Peppi Koivunen, utilizaram a eletrorretinografia e os potenciais evocados visuais uma vez que podem ser utilizadas metodologias semelhantes nos animais e humanos. A eletrorretinografia é capaz de monitorizar com sucesso a função da retina utilizando elétrodos na córnea ou na pele, enquanto os potenciais evocados visuais medem a função do córtex visual. Estes métodos foram utilizados para testar diferentes atributos de visão em três modelos animais distintos para as doenças do sistema nervoso central.
 

O estudo apurou que a visão diurna e as cores associadas à disfunção da retina foram observadas num modelo de ratinho para a doença de Huntington, apesar de o animal ainda não apresentar sintomas. A estrutura da retina permaneceu relativamente normal, mesmo num estado de doença avançada, apesar de a agregação de proteína huntingtina mutada tóxica se ter disseminado na retina doente do ratinho.
 

No modelo de ratinho para a doença de Alzheimer, verificou-se a presença de anomalias na visão noturna associada à função da retina. A resposta da retina a flashes de luz foi mais rápida nos ratinhos doentes, comparativamente com os animais do grupo de controlo. Estes achados podem ser explicados pela falha na neurotransmissão coligérnica que também causa, em parte, a deterioração da memória nos pacientes com doença de Alzheimer.
 

Num modelo de ratinho para a lipofuscinose ceróide infantil tardia neuronal, uma doença neurológica pediátrica, os investigadores descreveram alterações degenerativas da retina que mimetizam a patologia característica da degeneração macular associada à idade. Estas alterações incluíram função alterada do epitélio pigmentar da retina e cegueira posterior devido à atrofia e morte dos fotorreceptores. Tem sido demonstrado que a degeneração da retina nos humanos progride de forma semelhante.
 

Foram assim observadas alterações funcionais da retina em três modelos de ratinho para as doenças do sistema nervoso central cujo fenótipo, idade de início e mecanismo patológico, diferem claramente uma da outra. A deficiência visual foi o sintoma progressivo mais rápido nos dois modelos testados.
 

Os resultados apoiam a noção de que os exames oculares podem funcionar como uma ferramenta de rastreio para as doenças do sistema nervoso central.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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