Doenças cardíacas estão a aumentar entre as mulheres

Uma consequência dos novos hábitos de vida das sociedades

09 março 2012
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As doenças cardíacas estão a aumentar e a matar cada vez mais mulheres, sendo responsáveis por uma em cada três mortes anuais. Estas chegam de uma forma inesperada, sem os sintomas típicos, e deixam mais sequelas do que nos homens.

 

Esta é uma realidade que está a deixar preocupada a comunidade médica, em Portugal e na Europa, que procura respostas para uma doença que tem manifestações diferentes nas mulheres, com consequências mais desastrosas, mesmo ao nível das intervenções médicas.

 

Várias cardiologistas pertencentes a um organismo europeu chamado “Women in innovation” (WIN) revelaram num encontro médico, decorrido na semana passada em Praga, que os enfartes agudos do miocárdio estão a aumentar nas mulheres e são muitas vezes irreconhecíveis, sem sintomas ou com sintomatologia diferente da clássica dor no peito.

 

Uma doença que classicamente se associa ao homem, está agora a incidir cada vez mais no sexo oposto, em consequência dos novos hábitos de vida das sociedades.

 

De acordo com a cardiologista de intervenção do Hospital de Santa Marta, Lídia Sousa, os enfartes estão a aumentar na população feminina mais jovem pelo crescimento dos hábitos de tabagismo, em particular quando associados à utilização da pílula.

 

Mas há também outros fatores de risco relacionados com o estilo de vida, como a obesidade e o sedentarismo, e com o “aumento da sobrevida, que acarreta um aumento das doenças concomitantes e dos fatores de risco cardiovasculares” revelou a especialista à agência Lusa.

 

Relativamente ao maior impacto que a doença tem na mulher, Lídia Sousa explica que existe “uma evolução menos favorável”, que é condicionada por vários fatores: o aparecimento numa idade mais tardia, em que a presença de co-morbilidades é mais significativa, o diagnóstico mais tardio e menos frequente nas mulheres (e subsequente tratamento menos adequado e tardio).

 

A taxa de mortalidade nas mulheres por síndrome coronário agudo é mais elevada do que nos homens, novamente pela idade e co-morbilidades, mas também por outros fatores como o facto de terem artérias de menor calibre e terem maior risco hemorrágico.

 

“As mulheres, além de maior mortalidade, parecem ter também mais evolução para algumas das complicações mecânicas do enfarte e para insuficiência cardíaca”, acrescentou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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