Doenças autoimunes: descoberto potencial desencadeador genético

Estudo publicado na revista “Arthritis & Rheumatology”

30 junho 2016
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Investigadores americanos descobriram um potencial desencadeador genético da doença autoimune sistémica, dá conta um estudo publicado na revista “Arthritis & Rheumatology”.
 

Uma doença autoimune ocorre quando o sistema imunitário, em vez de proteger o organismo, ataca e destrói órgãos saudáveis. Existem mais de 80 tipo de doenças autoimunes incluindo a artrite reumatoide, o lúpus e a síndrome de Sjögren.
 

Apesar de ainda não se conhecer a causa precisa das doenças autoimunes, a maioria dos cientistas acredita que estas são resultantes de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. As infeções virais têm sido nomeadamente associadas ao desenvolvimento destas doenças.
 

Para o estudo, os investigadores do Hospital for Special Surgery, nos EUA, colocaram a hipótese de a expressão anormal de elementos genéticos conhecido por retroelementos LINE-1 (L1) poderem desencadear uma resposta imune inata semelhante à produzida por vírus externos e contribuir para a produção excessiva de interferões. Os interferões são moléculas produzidas pelo organismo na presença de vírus e outros agentes patogénicos de forma a mobilizar o sistema imunológico.
 

Nos indivíduos saudáveis, os interferões fazem parte de uma resposta imunitária complexa para combater o perigo. Contudo, se os níveis dos interferões estiverem demasiado elevados podem contribuir para o desenvolvimento de doenças autoimunes.
 

Mary K. Crow, líder do estudo, explica que em muitas destas doenças, como o lúpus e a síndrome de Sjögren, o interferão tipo 1 é produzido em elevadas quantidades, contribuindo para um sistema imunitário disfuncional.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram averiguar por que motivo o interferão era produzido em excesso, tendo colocado a hipótese de que as sequências de ADN do nosso genoma semelhantes a vírus, poderem ser responsáveis pela produção do interferão e contribuir para a doença.
 

A investigadora explica que o nosso genoma contem sequências derivadas de vírus que foram inseridas há muitos milhares de anos atrás e estas sequências podem causar mutações genéticas e contribuir para a evolução dos nossos genomas. “Colocámos a hipótese que estas podem por vezes produzir sequências de ARN semelhantes a vírus que podem ser detetadas pelo sistema imunitário”, referiu, a investigadora.
 

Os investigadores analisaram amostras de biópsias renais de 24 pacientes com nefrite lúpica e tecido das glândulas salivares de 31 pacientes com síndrome de Sjogren tendo-os comparado com tecido saudável.
 

Os resultados obtidos suportam a hipótese de que os retroelementos L1, juntamente com outros elementos genómicos derivados de vírus, possam contribuir para o desenvolvimento de doenças autoimunes caracterizadas por níveis elevados de interferão tipo 1.
 

Na opinião de Mary K. Crow, são necessários mais estudos para elucidar o papel dos vírus exógenos e endógenos no desenvolvimento das doenças autoimunes. Uma melhor compreensão dos mecanismos patológicos subjacentes pode ajudar no desenvolvimento de novos e melhores tratamentos contra o lúpus e outras doenças autoimunes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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