Doenças autoimunes: descoberto mecanismo-chave
23 fevereiro 2016
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Investigadores do Canadá descobriram um novo mecanismo que impede o ataque do sistema imunológico e desenvolveram uma nova classe de fármacos que utiliza este mecanismo para o tratamento de várias doenças autoimunes, como a diabetes tipo 1 e a esclerose múltipla, sem comprometer todo o sistema imunitário, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.


“Esta descoberta é muito importante, porque agora sabemos como impedir as doenças autoimunes de uma forma altamente específica sem comprometer a imunidade em geral”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Pere Santamaria.


Nas doenças autoimunes, um tipo de células imunitárias, os leucócitos, que habitualmente são responsáveis por afastar invasores estranhos, como bactérias e vírus, por vezes atacam erradamente as próprias células do organismo, o que causa a sua destruição. Cada doença autoimune resulta de um ataque contra milhares de fragmentos proteicos no órgão-alvo, como é o caso das células produtoras de insulina na diabetes tipo 1.


Neste estudo, os investigadores da Universidade de Calgary, no Canadá, demonstraram que as nanopartículas decoradas com alvos proteicos que atuam como “isco” para os leucócitos causadores de doenças podem ser utilizadas para reprogramá-los e suprimir a doença. Esta nova classe de fármacos explora um processo que ocorre naturalmente e que envolve a ativação do sistema imunológico para proteger o organismo contra doenças autoimunes.


O estudo demonstrou que este mecanismo e as nanopartículas que o exploram podem ser aplicadas a várias (e potencialmente a todas as) doenças autoimunes nos animais, ao modificar simplesmente o “isco” nas nanopartículas.


Os investigadores também verificaram que este mecanismo funciona em animais transplantados com leucócitos humanos, que essencialmente responderam aos nanomedicamentos correspondentes como os outros ratinhos.


Atualmente, os fármacos utilizados no tratamento das doenças autoimunes não são capazes de distinguir entre os leucócitos causadores de doença e os normais. Desta forma, os fármacos utilizados no tratamento deste tipo de doenças suprimem a imunidade normal, o que deixa o paciente suscetível a outras doenças.


É como impedir uma guerra, explica Pere Santamaria. Para a impedir talvez pensássemos em retirar o exército todo, que é o que os atuais fármacos fazem. Contudo, esta nova classe de fármacos aborda o problema de uma perspetiva completamente diferente. “Em vez de retirar os soldados, os nossos fármacos enganam um único soldado para se tornar no ‘traidor’ que elimina o general. Sem o general, o exército deixa de funcionar e que a guerra termina”, conclui.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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