Doença renal: tratamento utilizado na artrite reumatóide pode ser eficaz

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

13 novembro 2013
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Um fármaco aprovado no tratamento da artrite reumatóide também pode converter-se no tratamento de uma das formas mais comuns da doença renal, uma condição que inevitavelmente conduz à insuficiência renal, sugere um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.
 

“O fármaco abatacept é o primeiro tratamento personalizado e específico para a doença renal, especificamente para a glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF), uma doença devastadora e na maioria dos casos intratável”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Peter Mundel, do Hospital Geral de Massachusetts.
 

A GESF é caracterizada pela presença de tecido cicatricial nos glomérulos, unidades de filtração essenciais dos rins. Apesar do mecanismo responsável por esta condição não estar ainda completamente claro, acredita-se que a GESF afete as células dentro dos glomérulos, os podócitos, que são importantes para o funcionamento dos rins.
 

Tendo como base estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigação, foi constatado através de estudos in vitro que o abatacept inibe a atividade de uma molécula, a B7-1, que não é expressa nos podócitos saudáveis e que está envolvida no mau funcionamento renal. Posteriormente, os investigadores administraram o fármaco a cinco pacientes com GESF.
 

O estudo apurou que o tratamento com abatacept induziu a remissão da doença, nos cinco pacientes incluídos no estudo. Dois dos pacientes, que tinham doença recorrente, mantiveram-se em remissão apenas com uma dose de abatacept, ao longo de três e quatro anos. Outros dois pacientes necessitaram de uma segunda dose, permanecendo em remissão, 10 e 12 meses, respetivamente. O paciente que se encontrava em elevado risco, sendo resistente ao tratamento convencional, entrou pela primeira vez em remissão, tendo-se esta prolongado ao longo de um ano. Apesar de esta paciente ser mensalmente tratada com abatacept, não necessita das doses elevadas de esteroides e de agentes imunossupressores a que estava dependente.
 

“Já temos uma década de resultados positivos com a utilização do abatacept no tratamento da artrite reumatóide, desta forma acreditamos que esta será uma excelente opção de tratamento para as doenças B7 positivas, incluindo a GESF e talvez a doença diabética renal, conclui Peter Mundel.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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