Doença renal crónica associada a um metabolito intestinal

Estudo publicado na revista “Circulation Research”

03 fevereiro 2015
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Um metabolito intestinal, o N-óxido trimetilamina, formado durante a digestão do ovo, carne vermelha ou nutrientes derivados dos produtos lácteos, como a colina e carnitina, está associado à doença renal crónica, sugere um estudo publicado na revista “Circulation Research”.
 

O N-óxido trimetilamina já tinha sido associado à doença cardíaca, sendo os níveis sanguíneos deste metabolito uma ferramenta importante para a previsão de enfartes do miocárdio futuros, acidente vascular cerebral e morte. Este metabolito forma-se no intestino durante digestão da colina e carnitina, nutrientes que são abundantes nos produtos animais, como carne vermelha e fígado. Adicionalmente a colina está também presente na gema de ovo e produtos lácteos com elevado teor de gordura.
 

A doença renal crónica é causada por uma perda gradual da função renal. À medida que a doença se agrava pode haver a acumulação de determinados resíduos no sangue o que, sem intervenção, pode ser fatal. Há já algum tempo que se sabe que os pacientes com doença renal crónica apresentam um elevado risco de doença cardíaca. Contudo, os mecanismos que associam as duas doenças ainda não são conhecidos.
 

De forma a tentar aprofundar mais esta temática, os investigadores da Clínica Cleveland, nos EUA, mediram os níveis em jejum de N-óxido trimetilamina em 521 pacientes com doença renal crónica e 3.166 indivíduos saudáveis. Os participantes foram acompanhados ao longo de cinco anos.
 

O estudo apurou que os níveis de N-óxido trimetilamina eram mais elevados nos pacientes com doença renal crónica. Verificou-se que níveis elevados do metabolito estavam associados a um maior risco de mortalidade nos dois grupos. Nos modelos animais, os investigadores também observaram que a exposição alimentar crónica à colina e N-óxido trimetilamina foi associada ao desenvolvimento e progressão de doença renal crónica.
 

“Os nossos estudos criam perspetivas entusiasmantes de intervenções nutricionais que possam ajudar a retardar o desenvolvimento e progressão da doença renal crónica. Infelizmente, pouco se sabe sobre a dieta e a progressão da doença renal”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Wilson Tang.
 

Este estudo chama a atenção para a necessidade de se centrar esforços nas intervenções dietéticas e nas terapias que tenham por alvo a flora intestinal dependente das vias do N-óxido trimetilamina, potencialmente para impedir o desenvolvimento e progressão da doença crónica, assim como os riscos de doença cardiovascular.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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