Doença periodontal associada a maior risco de cancro

Estudo publicado na revista “Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention

03 agosto 2017
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A doença periodontal poderá estar associada a um risco acrescido de vários tipos de cancro em mulheres na pós-menopausa, indicou um estudo.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Jean Wactawski-Wende, da Universidade em Buffalo, EUA, o estudo, de grande dimensão, proporcionou também dados importantes sobre várias localizações específicas do cancro.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 65.869 mulheres na fase da pós-menopausa, com uma média de idades de 68 anos e que tinham integrado a Iniciativa da Saúde das Mulheres ("Women's Health Initiative”), um estudo contínuo que tem como objetivo analisar fatores que afetam as doenças e mortalidade nas mulheres norte-americanas de idade mais avançada.
 
Um dos aspetos analisados naquele estudo é a doença periodontal. Foi apurado que as mulheres que tinham relatado um historial de doença nas gengivas, apresentavam um risco 14% superior de desenvolverem cancro em geral. 
 
Os investigadores identificaram 7.149 cancros nas participantes do estudo, tendo a maioria sido cancro da mama, com 2.416 casos.
 
Ngozi Nwizu, primeira autora deste estudo comentou: “é cada vez mais evidente que a doença periodontal poderá estar associada a um risco de cancro acrescido e esta associação requer mais investigações”.
 
O risco associado à doença periodontal foi primeiramente o de cancro do esófago. “O esófago está muito próximo da cavidade oral e assim os agentes patogénicos periodontais poderão ganhas mais facilmente acesso a uma mucosa do esófago e infetá-la e promover o risco de cancro naquele local”, afirmou Jean Wactawski-Wende.
 
Outro cancro associado às mulheres com historial de doença periodontal foi o cancro na vesícula biliar, tendo este estudo sido o primeiro a identificar esta associação.
 
Segundo os investigadores, os achados da associação da doença periodontal aos cancros do esófago e vesícula biliar são significativos. Os cancros do esófago é um dos mais mortíferos e a tua etiologia não é muito conhecida, mas está implicada inflamação crónica”, explicou Ngozi Nwizu.
 
“Algumas bactérias periodontais já demonstraram ter promovido inflamação, mesmo em quantidades muito pequenas e essas bactérias foram já isoladas em muitos sistemas orgânicos e alguns cancros, incluindo os cancros no esófago. É importante determinar se a doença periodontal constitui um risco importante para o cancro do esófago, para que se possa promover medidas preventivas”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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