Doença obsessivo-compulsiva é tão frequente quanto a diabetes

Autocrítica dos doentes faz com que haja um secretismo que a silencia

07 fevereiro 2017
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A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença tão frequente quanto a asma ou a diabetes, sendo mesmo mais prevalente que a esquizofrenia, mas a autocrítica dos doentes faz com que haja um secretismo que a silencia.
 
Segundo uma notícia avançada pela agência Lusa, os estudos sobre esta doença psiquiátrica têm demostrado que, atualmente, a prevalência é bastante maior do que se pensava há poucas décadas, estimando-se que se situe entre um a dois por cento da população geral.
 
António Ferreira de Macedo, psiquiatra do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, lembra que a perturbação obsessivo-compulsiva surge em quarto lugar em termos de prevalência entre as doenças psiquiátricas, à frente de “doenças mais conhecidas, como a esquizofrenia”.
 
O lugar da perturbação obsessiva compulsiva tem sofrido algumas transformações, na medida em que até há pouco tempo era considerada uma perturbação da ansiedade. Mas em 2013 a classificação das doenças mentais sofreu uma evolução e a perturbação obsessiva autonomizou-se.
 
Esta é uma doença silenciosa e pouco conhecida, apesar de ser até retratada em vários filmes como “Melhor é Impossível” ou “O Aviador”, como recorda o livro “Perturbação Obsessivo-Compulsiva, o insustentável peso da dúvida”.
 
A obra é dirigida essencialmente aos profissionais de saúde que lidam com questões de saúde mental e tenta compilar os dados mais importantes da doença. António Ferreira de Macedo, um dos coordenadores do livro, admite que uma das razões para a doença ser silenciosa e pouco conhecida é a perceção que o próprio doente tem da sua patologia.
 
Enquanto na esquizofrenia (protótipo da doença mental grave) há sintomas psicóticos que determinam que a pessoa não tem consciência de que está doente, quem sofre de perturbação obsessivo-compulsiva tem “uma crítica muito nítida dos seus sintomas”.
 
Estes pacientes encaram os sintomas muitas vezes como absurdos e têm vergonha da sua doença, de a comunicar e de pedir ajuda.
 
“Têm receio que as pessoas os vejam como loucos ou como pessoas perturbadas. Há esse secretismo. O que determina que possa correr um período muito grande, de cinco ou sete anos, entre o início dos sintomas e o pedido de ajuda”, explicou o especialista à agência Lusa.
Esta condição é caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões e interfere significativamente no bem-estar e quotidiano do doente.
 
As obsessões são pensamentos, imagens ou medos de caráter recorrente e que geram grandes níveis de ansiedade, enquanto as compulsões são comportamentos repetitivos e estereotipados, praticados com o intuito de reduzir a ansiedade ou prevenir acontecimentos indesejados.
 
Podem envolver vários temas, mas tipicamente estão relacionados com a sujidade e contaminação e também com a verificação ou contagem. A simetria e a precisão surgem igualmente como compulsões frequentes. Nos casos mais extremos, as compulsões podem mesmo determinar uma completa incapacidade do doente.
 
António Ferreira Macedo refere que o tratamento farmacológico conjugado com psicoterapia específica é eficaz na maior parte dos casos, havendo outros tratamentos de segunda linha para as situações mais resistentes: a estimulação magnética e a cirurgia que realiza uma estimulação cerebral profunda.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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