Doença inflamatória intestinal: nova abordagem de tratamento?

Estudo publicado na revista “Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology”

19 janeiro 2015
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Uma proteína natural, produzida por células do sistema imunitário, pode limitar a fibrose e as cicatrizes que ocorrem na doença inflamatória intestinal, dá conta um estudo publicado na revista “Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology”.
 

A doença de Crohn, uma das formas da doença inflamatória intestinal, é uma doença incurável que surge muitas vezes na infância e na adolescência. As estenoses fibróticas, que podem obstruir os intestinos, são uma das principais complicações desta doença. Apesar de estas obstruções poderem ser removidas cirurgicamente, a doença tende a recorrer nesses locais. Como resultado, os pacientes podem ser submetidos a repetidas intervenções cirúrgicas ao longo das suas vidas.
 

“Constatámos que a proteína antimicrobiana catelicidina é capaz de impedir a fibrose intestinal nos modelos de doença pré-clínicos. Assim, estes resultados podem conduzir a novas abordagens terapêuticas que previnam a recorrência de estenoses nos pacientes com doença de Crohn”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Hon Wai Koon.
 

De acordo com os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, a catelicidina faz parte de uma família de proteínas antimicrobianas que são produzidas pode vários tipos de células, incluindo as epiteliais. Estudos anteriores já tinham constatado que a catelicidina também apresenta propriedades anti-inflamatórias e é capaz de impedir a síntese do colagénio, a principal proteína das cicatrizes fibróticas na pele.
 

Neste estudo, os investigadores decidiram determinar se a catelicidina era eficaz na prevenção da síntese do colagénio e na fibrose. De acordo com os autores do estudo, no caso de sucesso isto poderia evitar que os pacientes com doença de Crohn desenvolvessem estenoses. Este tipo de estreitamento conduz muitas vezes à obstrução intestinal e a múltiplas ressecções cirúrgicas que podem, nos casos mais graves, diminuir tanto a extensão do intestino, que os nutrientes não podem ser adequadamente absorvidos da alimentação, tendo de ser fornecidos por via intravenosa.
 

O efeito da catelicidina foi avaliado em dois modelos pré-clínicos da doença e num tipo de fibroblastos humanos que sintetizam o colagénio nas cicatrizes e estenoses. Num dos modelos animais utilizados foi administrada uma substância para induzir a colite e fibrose ao longo de sete semanas.
 

O estudo apurou que a administração da catelicidina através do cólon, ao longo de três semanas, limitou a perda de peso e as características microscópicas da doença, tendo reduzido a produção de proteínas pró-inflamatórias. Verificou-se também que houve uma redução da fibrose e da produção de colagénio.

 

“Enquanto os mecanismos através dos quais a catelicidina promove a cura e inibe a fibrose continuam a ser uma área de estudos futuros, os avanços agora descritos podem ajudar a evitar as estenoses e a poupar estes pacientes a cirurgias repetidas”, conclui o editor responsável desta revista, Jerrold Turner.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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