Doença inflamatória do intestino: variantes genéticas impedem efeito de bactérias benéficas

Estudo publicado na revista “Science”

10 maio 2016
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Um tipo de doença inflamatória do intestino pode ser, em parte, causada por variantes genéticas que impedem as bactérias benéficas de exercerem a sua função no intestino, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 
“As bactérias têm sido historicamente consideradas como um inimigo do organismo, mas mais recentemente, temos vindo a identificar os tipos de bactérias que parecem ser benéficas para a saúde, especialmente no caso da doença inflamatória do intestino”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Dermot McGovern.
 
O estudo, que incluiu investigadores do Centro Médico de Cedars-Sinai, nos EUA, constatou que os efeitos benéficos da bactéria Bacteroides fragilis, um dos biliões de organismos microscópicos que habitam normalmente o sistema gastrointestinal humano, eram afetados negativamente por variações no gene ATG16L1.
 
Estas variações aumentavam o risco de desenvolvimento de doença de Crohn, uma das formas mais comuns da doença inflamatória do intestino. Como resultado, a bactéria não conseguia levar a cabo umas das funções mais importantes, ou seja, a supressão da inflamação na mucosa intestinal.
 
Na opinião de Dermot McGovern, este estudo é muito importante uma vez que identifica um mecanismo completamente novo através do qual estes genes podem conduzir ao risco aumentado de desenvolvimento de doença de Crohn. Os indivíduos afetados por esta doença sofrem de inflamação do trato gastrointestinal, o que resulta frequentemente em dores abdominais fortes, perda de peso, assim como sintomas que não estão diretamente associados ao intestino, como a artrite.
 
Stephan R. Targan, um coautor do estudo, refere que, tendo em conta que apenas uma pequena percentagem dos indivíduos com doença inflamatória do intestino responde a fármacos direcionados ao sistema imunitário, estes resultados podem ajudar a melhorar os tratamentos ao identificar os pacientes que poderão responder melhor à manipulação da bactéria no trato digestivo.
 
Os autores do estudo referem ainda que estes achados podem ter implicações no tratamento da doença de Crohn, assim como de outras doenças imunes que partilhem variações genéticas similares.
 
As terapias atuais para pacientes com doença inflamatória do intestino conduzem à remissão de apenas de cerca de 30% dos casos. Os investigadores concluem que este trabalho é um passo importante para o desenvolvimento de terapias específicas que podem fornecer tratamentos mais eficazes e individualizados aos pacientes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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