Doença inflamatória do intestino: descobertos potenciais alvos terapêuticos

Estudos publicados na revista “Nature Genetics”

07 fevereiro 2017
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Investigadores do Reino Unido identificaram uma variante genética que duplica o risco de desenvolvimento de colite ulcerosa, um dos subtipos de uma doença crónica conhecida por doença inflamatória do intestino, dão conta dois estudos publicados na revista “Nature Genetics”.
 
Os investigadores do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, também descobriram 25 novas associações genéticas envolvidas no risco da doença inflamatória do intestino, incluindo vários genes associados a uma classe de agentes terapêuticos que têm demonstrado ser prometedores no tratamento desta doença.
 
A doença inflamatória do intestino inclui dois subtipos, a colite ulcerosa e a doença de Crohn, para os quais não existe atualmente tratamento. Nesta doença, o sistema imunitário ataca parte do sistema digestivo. Contudo, até à data ainda não se sabia a causa exata da doença.
 
Nos estudos, os investigadores analisaram os genomas de mais de 16 mil pacientes com doença inflamatória do intestino, bem como de 10 mil que tinham integrado um estudo já publicado. Foi identificada uma variante genética que duplica o risco de desenvolvimento de colite ulcerosa.
 
Esta variante, que afeta o gene ADCY7, é um dos mais fortes fatores de risco para a colite ulcerosa descoberta até à data. Na opinião dos investigadores esta variante pode funcionar como um potencial novo alvo contra a doença inflamatória do intestino.
 
No segundo estudo, os cientistas identificaram uma família de proteínas, conhecidas por integrinas, que desempenham um papel importante no aumento do risco da doença. As integrinas são proteínas transmembranares que atuam como pontes para interações entre células do sistema imunitário e do restante organismo. Na inflamação associada aos sintomas da doença inflamatória do intestino, os fármacos que têm por alvo algumas destas interações têm-se mostrado eficazes. 
 
Os investigadores demonstraram que variantes genéticas que aumentam o risco de desenvolvimento da doença inflamatória do intestino também aumentam a expressão de determinadas integrinas em resposta à estimulação do sistema imunológico.
 
Ao longo dos próximos cinco anos, os investigadores estão a planear sequenciar os genomas de 25 mil pacientes com doença inflamatória do intestino de forma a aprofundar os conhecimentos da biologia da doença.
 
Katrina de Lange, uma das autoras do estudo, concluiu que a partir da informação genética pode ser possível compreender por que motivo um determinado fármaco anti-integrina é eficaz contra a doença inflamatória do intestino, e porque outros têm efeitos secundários graves.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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