Doença dos pezinhos: prémio distingue estudo de caracterização

Prémio atribuído pela Ordem dos Farmacêuticos

28 setembro 2016
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O Prémio de Investigação Científica Professora Doutora Maria Odette Santos-Ferreira foi atribuído a um estudo que permitiu pela primeira vez caracterizar a doença dos pezinhos em Portugal, concluindo pela existência de 2.013 doentes em 58% do país.
 

Este ano, o prémio, atribuído anualmente pela Ordem dos Farmacêuticos, distinguiu o estudo “Farmacoepidemiologia da Paramiloidose em Portugal”, que permitiu, pela primeira vez, fazer a caracterização epidemiológica da paramiloidose, vulgarmente conhecida como doença dos pezinhos, quer a nível do número anual de novos doentes, como do total de doentes.
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, o estudo descreveu também a distribuição geográfica e demográfica da doença e caracterizou os medicamentos usados em ambulatório para a gestão sintomática da doença.
 

No âmbito do estudo foram identificados 2.013 doentes, o que corresponde a cerca de um doente por cada quatro mil habitantes. A doença, que foi pela primeira vez identificada na população portuguesa na área da Póvoa do Varzim, não está atualmente limitada ao norte do país, aparecendo em mais de metade dos concelhos de Portugal Continental (58%) e já também muito distribuída pelos concelhos do centro e sul.
 

O estudo apurou que, em 25 concelhos (15%), a paramiloidose já não é uma doença rara e só na área da Póvoa do Varzim/Vila do Conde a sua prevalência mais do que duplicou (aumento de 125%) em menos de 30 anos.
 

Estima-se, em média, a identificação de cerca de 70 novos doentes e cerca de 65 novos casos de portadores assintomáticos, apresentando uma tendência decrescente.
 

Relativamente aos medicamentos utilizados para o tratamento dos sintomas da paramiloidose, abarcam todos os grupos terapêuticos, mas principalmente os do sistema nervoso (71% dos doentes), aparelho digestivo e metabolismo (68%), anti-infecciosos gerais para uso sistémico (48%) e aparelho cardiovascular (48%).
 

Os doentes submetidos a transplante hepático apresentam uma utilização mais intensiva de medicamentos de ambulatório.
 

A Ordem dos Farmacêuticos considera que, face à escassez de estudos epidemiológicos sobre a paramiloidose, este trabalho representa “um incentivo para estudos futuros”, tanto a nível nacional como mundial.

 

A paramiloidose é uma doença hereditária rara que, em Portugal, afeta maioritariamente pessoas em idade jovem e ativa, de ambos os sexos, e que se não for tratada tem uma progressão rápida, causando a morte geralmente na primeira década após a manifestação dos sintomas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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