Doença do fígado gordo não alcoólica é um fator de risco da doença cardiovascular

Estudo publicado no “Journal of Hepatology”

29 abril 2016
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Investigadores franceses concluíram que a doença do fígado gordo não alcoólica, e não as condições associadas, como a diabetes e obesidade, é um fator de risco independente da aterosclerose e consequentemente da doença cardiovascular, dá conta um estudo publicado no “Journal of Hepatology”.
 

Os investigadores da Universidade Pierre e Marie Curie, na França, recomendam um acompanhamento rigoroso da saúde cardiovascular e das complicações metabólicas nos pacientes com doença do fígado gordo não alcoólica.
 

A doença do fígado gordo não alcoólica é uma condição cada vez mais comum em pacientes com obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia aterogénica e hipertensão arterial. Alguns estudos indicaram que o fígado gordo e inflamado expressa vários fatores pró-inflamatórios e pró-coagulantes, assim como genes envolvidos na aterogénese acelerada.
 

“Isto levantou a possibilidade de a associação entre a doença do fígado gordo não alcoólica e a mortalidade cardiovascular poder não ser simplesmente mediada por fatores de risco partilhados e comuns, mas sim pelo facto de a doença do fígado gordo contribuir independentemente para o aumento do risco”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Vlad Ratziu.
 

Os investigadores, liderados por Raluca Pais, acompanharam, entre 1995 e 2012, seis mil pacientes de forma a averiguar se a doença do fígado gordo não alcoólica resulta ou é a causa da aterosclerose das artérias carótidas, os principais vasos sanguíneos no pescoço que fornecem sangue para o cérebro, pescoço e face.
 

Todos os pacientes foram analisados através de uma ressonância à carótida com medição da espessura da camada íntima-média e acumulação de gordura (placas) nestas artérias. Através da utilização do índice do fígado gordo, os investigadores verificaram que a esteatose (fígado gordo) estava associada à espessura íntima-média carotídea (C-IMT, sigla em inglês), uma lesão pré-aterosclerótica que prevê eventos cardiovasculares. A C-IMT aumenta proporcionalmente com o índice do fígado gordo, e esta associação foi independente dos fatores de risco cardiometabólicos tradicionais.
 

Em 5.671 pacientes, a esteatose previu melhor a C-IMT do que a diabetes ou dislipidemia, após os investigadores terem ajustado para a síndrome metabólica e fatores de risco cardiovascular. O acompanhamento a longo prazo de 1.872 pacientes veio confirmar que aqueles com fígado gordo eram mais propensos a desenvolver placa carotídea ao longo do tempo. A esteatose ocorreu em 12% e a placas carotídeas em 23% destes pacientes.

 

A C-IMT aumentou nos pacientes com esteatose, mas não naqueles sem esta condição. A esteatose previu a ocorrência de placas carotídeas independentemente da idade, sexo, diabetes tipo 2, tabagismo e outros fatores de risco cardiovascular.

 

O estudo concluiu que nos pacientes com síndrome metabólica em risco de eventos cardiovasculares, a doença do fígado gordo não alcoólica contribui para a aterosclerose precoce e sua progressão, independentemente dos fatores do risco cardiovasculares tradicionais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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