Doença de Parkinson: uma crise de energia dos neurónios?

Estudo publicado na revista “Current Biology"

01 setembro 2015
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A morte de células cerebrais na doença de Parkinson pode ser causada por uma forma de crise de energia celular nos neurónios que necessitam de quantidades de energia pouco habituais para levar a cabo a função na regulação dos movimentos, dá conta um estudo publicado na revista “Current Biology”.
 

“Tal como um motor que está em funcionamento constante a alta velocidade, estes neurónios necessitam de produzir uma quantidade de energia incrível para funcionar. Desta forma ficam exaustos e morrem prematuramente”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Louis-Éric Trudeau.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, pode conduzir ao desenvolvimento de melhores modelos animais para a doença de Parkinson e desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. “É possível que sejam desenvolvidos novos medicamentos para ajudar os neurónios em causa a reduzir o seu consumo de energia ou produzir energia mais eficazmente, o que iria reduzir a acumulação de danos ao longo dos anos”, adiantou o investigador.
 

Ao contrário de Alzheimer, que tem um impacto mais abrangente em bilhões de neurónios, os sintomas da doença de Parkinson são causados pela morte de dezenas ou centenas de milhares de neurónios em algumas áreas mais restritas do cérebro, incluindo as regiões denominadas por substância negra, o locus coeruleus e o núcleo dorsal do nervo vago.
 

A chave para o mistério pode estar nas mitocôndrias, estruturas celulares que permitem que as células cresçam e que os neurónios conduzam sinais elétricos e libertem os seus mensageiros químicos, como a dopamina, noradrenalina e acetilcolina. Nos últimos três anos, os investigadores têm realizado várias experiências de forma a tentar perceber por que motivo as mitocôndrias nos neurônios da substância negra “trabalham” tão arduamente o que, aparentemente, conduz ao sobreaquecimento.
 

Os investigadores descobriram que este sobreaquecimento pode ser causado pelo facto de estes neurónios terem uma estrutura surpreendentemente complexa, com um grande número de extensões e locais de libertação de neurotransmissores. O fornecimento de energia a todas estas extensões pode fazer com que os neurónios fiquem particularmente vulneráveis, conduzindo, no contexto de envelhecimento, ao mau funcionamento e a morte celular, despoletando assim a doença de Parkinson.
 

Na opinião dos investigadores os resultados deste estudo apoiam a teoria de que os neurónios complexos como aqueles encontrados na substância negra forçam a mitocôndria a trabalhar constantemente a taxas muito elevadas para conseguir produzir energia.
 

O investigador refere ainda que a maioria das doenças neurodegenerativas são particularmente difíceis de investigar, de certo modo, a sua crescente prevalência é devido ao aumento da esperança de vida. “De um ponto de vista evolutivo, alguns dos nossos neurónios não estão programados para viverem até aos 80, 90 ou 100 anos. É de esperar que determinadas partes do corpo não sejam capazes de resistir ao efeito do tempo”, disse Louis-Éric Trudeau.
 

Contudo, devido à natureza localizada da doença de Parkinson é possível que num futuro não muito distante seja descoberto um tratamento eficaz, concluíram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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