Doença de Parkinson: um marcador debaixo da pele

Estudo publicado na revista “Neurology”

10 outubro 2013
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Investigadores americanos descobriram um potencial marcador da doença de Parkinson, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.

 

Atualmente ainda não existe um teste clínico capaz de identificar a doença de Parkinson. Como resultado, esta doença neurodegenerativa permanece escondida até uma fase tardia, quando os neurónios afetados já foram destruídos e os sintomas motores, como o tremor e a rigidez, são evidentes.
 

Neste estudo, os investigadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, nos EUA, constataram que havia um aumento dos níveis de uma proteína, a alfa-sinucleína, na pele dos indivíduos com doença de Parkinson.
 

A alfa-sinucleína é uma proteína encontrada no sistema nervoso. Apesar de a sua função ser ainda desconhecida, é o componente principal de agregados proteicos conhecidos por corpos de Lewy, que são considerados um marcador da doença de Parkinson. “A deposição da alfa-sinucleína ocorre no início do curso da doença de Parkinson e antecede o início dos sintomas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Roy Freeman.
 

Desta forma, os investigadores acreditaram que poderiam encontrar sinais precoces da doença de Parkinson através da análise do sistema nervoso autónomo na pele, particularmente da alfa-sinucleína.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que havia sintomas associados ao sistema nervoso autónomo, incluindo alterações na função intestinal, regulação da temperatura e controlo da pressão arterial, que pareciam anteceder os sintomas motores dos pacientes com Parkinson.
 

As manifestações autónomas associada à pele, como a transpiração excessiva ou diminuída, ocorrem em dois terços dos pacientes.” A pele pode funcionar como uma janela de acesso ao sistema nervoso e com base neste tipo de observações clínicas, decidimos testar se a análise das células nervosas numa biópsia da pele poderia ser utilizada para identificar um biomarcador da doença de Parkinson”, acrescentou Roy Freeman.
 

De forma a testar esta hipótese, os investigadores contaram com a participação de 20 pacientes com doença de Parkinson e 14 indivíduos saudáveis, os quais foram submetidos a vários testes para avaliação do sistema nervoso autónomo. Tal como esperado, os níveis de alfa-sinucleína estavam aumentados nas células nervosas cutâneas que abrangem as glândulas sudoríparas e os músculos pilomotores dos doentes de Parkinson. Uma elevada deposição da proteína nas células nervosas que abrangem as estruturas autónomas da pele foi associada com um estadio avançado da doença e uma pior função autónoma.
 

De acordo com estes resultados, os investigadores acreditam que a deposição da alfa-sinucleína na pele pode funcionar como um biomarcador, seguro, acessível e reprodutível.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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