Doença de Parkinson: tratamento poderá estar um pouco mais perto

Estudo publicado no “Cell Stem Cell”

13 abril 2011
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Investigadores suecos mostraram que a dopamina é capaz de controlar a formação de novos neurónios no cérebro adulto. Estes resultados agora publicados no “Cell Stem Cell” poderão um dia ajudar no desenvolvimento de tratamentos para doenças neurodegenerativas como a doença de Parkinson.
 

Para o estudo, os investigadores utilizaram salamandras que, ao contrário dos mamíferos, recuperam totalmente da doença de Parkinson ao fim de quatro semanas. A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela morte das células produtoras de dopamina no cérebro. Como a salamandra é capaz de recuperar todos os neurónios produtores de dopamina perdidos, os investigadores analisaram a forma como o cérebro da salamandra detecta a ausência destas células. Esta é uma questão fundamental, uma vez que ainda não se conhece o que causa a formação de novas células nervosas e por que é que este processo é interrompido quando é atingido o número suficiente de células.
 

Neste estudo, os investigadores do Karolinska Institutet, na Suécia, descobriram que as células estaminais da salamandra são activadas automaticamente quando a concentração de dopamina diminui como resultado da morte de neurónios produtores de dopamina, o que significa que o neurotransmissor age como um constante “travão de mão” na actividade das células estaminais.
 

Em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Andras Simon, explica que "o fármaco muitas vezes administrado aos pacientes que sofrem de Parkinson é o L-dopa, que é convertido em dopamina no cérebro.
 

Os investigadores constataram que quando as salamandras foram tratadas com este fármaco, houve uma inibição quase completa dos neurónios produtores de dopamina e os animais não foram capazes de recuperar. Contudo, o inverso também se verificou. Quando a dopamina foi bloqueada, foram produzidos novos neurónios.
 

Tal como nos mamíferos, a formação de neurónios no cérebro da salamandra é praticamente inexistente em circunstâncias normais. Portanto, a utilização da salamandra como modelo de estudo poderá ajudar os investigadores a perceberem como a produção de novas células nervosas pode ser iniciada após ter sido interrompida e como pode ser parada quando não são necessários mais neurónios. É precisamente nesta regulação que a dopamina parece desempenhar um papel vital.
 

Muitos estudos sugerem que mecanismos semelhantes estão também activos noutras espécies animais. Assim, a realização de outros estudos comparativos poderá ajudar a perceber como os neurotransmissores controlam as células estaminais no cérebro, conhecimento este que pode ser utilizado no desenvolvimento de terapias para o tratamento de doenças neurodegenerativas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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