Doença de Parkinson: sintomas motores corrigidos em ratinhos

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

20 dezembro 2016
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Cerca de dois por cento dos indivíduos com mais de 60 anos desenvolve doença de Parkinson. Esta doença causa sintomas motores severos, uma vez que destrói as células nervosas das áreas motoras do cérebro. Até à data ainda não se conhece a causa exata da doença. Contudo, nos últimos 15 anos a comunidade científica focou-se na proteína alfa-sinucleína que está envolvida em várias funções nas áreas do cérebro que regulam as funções motoras. 
 
Esta proteína é propensa a adquirir conformações alteradas que formam agregados os quais, na doença de Parkinson, se acumulam nas células nervosas e danifica-as. Estes agregados também são capazes de se propagarem de uma célula para a outra e disseminar o comprometimento das células nervosas no cérebro. 
 
Os investigadores da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, já tinham constatado que a enzima PREP, que está presente naturalmente no organismo, é capaz de aumentar a formação destes agregados proteicos prejudiciais no cérebro. 
 
Neste estudo, os investigadores decidiram determinar a ligação que a enzima e a proteína têm com os sintomas da doença de Parkinson através do bloqueio da PREP.
 
No estudo, os investigadores, liderados por Timo Myöhänen, desenvolveram um modelo de ratinho para a doença de Parkinson, nas quais as áreas motoras do cérebro produziam elevadas quantidades da proteína alfa-sinucleína. Tal como esperado, observou-se uma acumulação das proteínas com conformação alterada nos cérebros dos ratinhos e presença dos sintomas motores associados. 
 
O tratamento com o bloqueador da PREP foi só iniciado quando os ratinhos começaram a manifestar claramente os sintomas motores. Esta situação é semelhante ao que ocorre nos humanos, onde a doença de Parkinson é tipicamente diagnosticada apenas quando os sintomas motores aparecem. 
 
Após duas semanas de tratamento verificou-se que os sintomas motores dos animais tinham praticamente desaparecido. Os sintomas não apareceram até ao final do estudo. Os investigadores apuraram que este tratamento impediu as áreas motoras de ficarem mais danificadas e eliminou quase na totalidade os agregados proteicos. 
 
 
Apesar de ainda serem necessários mais estudos de forma a tentar traduzir estes achados em ensaios clínicos humanos, na opinião dos investigadores estes resultados são muito encorajadores no que diz respeito ao desenvolvimento futuro de fármacos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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