Doença de Parkinson: serviços de saúde têm de se adaptar à nova realidade

Alerta um neurologista

24 novembro 2016
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Os serviços e os profissionais de saúde têm de se adaptar para responder às necessidades dos doentes de Parkinson com abordagens terapêuticas mais multidisciplinares e integradas, defende o neurologista Joaquim Ferreira.
 
“A forma como ainda hoje prescrevemos e tratamos os doentes de Parkinson reflete uma forma de tratamento que já não é compatível com o que a ciência nos ensina”, disse à agência Lusa o especialista do Instituto de Medicina Molecular.
 
“A questão que se coloca em Portugal não é diferente do problema que se coloca no mundo ocidental, em que a frequência de doentes com doença de Parkinson irá aumentar nos próximos anos”, disse Joaquim Ferreira.
 
Por outro lado, como os cuidados, felizmente, melhoram, vamos ter mais doentes a viver mais tempo e a chegarem a fases mais avançadas da doença.
 
Esta situação levanta um desafio aos serviços e aos vários intervenientes nesta área, que têm de se adaptar a esta nova realidade e à mudança dos cuidados prestados na doença. 
 
De acordo com Joaquim Ferreira, “já não faz sentido” o tratamento destes doentes “numa consulta clássica” com um médico, bem como prescrever um número limitado de sessões de fisioterapia, quando as recomendações internacionais sugerem que os tratamentos de reabilitação devem ser feitos de “forma continuada”.
 
“Os doentes com doença de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas não têm apenas problemas neurológicos, têm problemas urinários, têm problemas de pele, de deglutição”, o que exige a intervenção de várias especialidades no tratamento destes doentes, seguindo as recomendações internacionais.
 
Desta forma, há necessidade de ter “enfermeiros treinados, de neurologistas treinados, de médicos de medicina geral treinados para que os cuidados sejam prestados" a estes doentes, "que vão requerer mais cuidados". 
 
O especialista conclui que se quisermos que as estruturas hospitalares, os centros de saúde, cada um dos médicos façam melhor trabalho dentro de cinco a dez anos, “temos de começar desde já a planear”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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