Doença de Parkinson: proteína atua como um vírus

Estudo publicado na revista “Plos One”

30 abril 2013
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Uma proteína conhecida por desempenhar um papel importante no desenvolvimento da doença de Parkinson, a alfa-sinucleína, é capaz de entrar e danificar as células da mesma forma que os vírus, dá conta um estudo publicado na revista “Plos One”.
 

A alfa-sinucleína contribui para o normal funcionamento dos neurónios saudáveis. Contudo, na doença de Parkinson, esta proteína forma aglomerados que conduzem à morte dos neurónios na área do cérebro responsável pelo controlo motor. Estudos anteriores já tinham demonstrado que estes agregados se poderiam infiltrar nas células e danificá-las.
 

Neste estudo, os investigadores da Loyola University Chicago Stritch School of Medicine, nos EUA, demonstraram como a alfa-sinucleína rompe lisossomas, pequenas estruturas vesiculares que têm a capacidade de degradar substâncias orgânicas. Este processo é similar à forma como os vírus entram dentro das células durante uma infeção.
 

Os investigadores explicaram que através desta rutura estas vesículas libertam enzimas que são tóxicas para as células. “A libertação das enzimas lisossomais traduz-se como um sinal de perigo para as células, uma vez que ruturas similares são induzidas por vírus ou bactérias. Os lisossomas são habitualmente descritos como bolsas suicidas, pois quando quebrados por vírus ou bactérias, dá-se a indução do stress oxidativo que conduz frequentemente à morte da célula afetada”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Chris Wiethoff.
 

Nas infeções víricas ou bacterianas, a morte dessas células infetadas pode ser considerada como algo positivo para o indivíduo infetado. Contudo, na doença de Parkinson este mesmo mecanismo protetor pode conduzir à morte dos neurónios e promover a difusão da alfa-sinucleína entre as células cerebrais.
 

De acordo com o investigador, este mecanismo “poderá explicar a natureza progressiva da doença de Parkinson. À medida que o número de células infetadas aumenta, maior é a disseminação dos agregados tóxicos da alfa-sinucleína no cérebro. Este processo é muito similar ao que ocorre na disseminação de uma infeção viral”.
 

Na opinião dos autores do estudo estes resultados poderão conduzir ao desenvolvimento de novas terapias que atrasem ou impeçam a progressão da doença de Parkinson.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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