Doença de Parkinson: pode ser tratada com antimaláricos?

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

31 julho 2015
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Dois dos fármacos utilizados no tratamento da malária mostraram-se promissores na proteção da progressão da doença de Parkinson, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Estima-se que dez milhões de pessoas em todo mundo sofram de doença de Parkinson, uma doença neurológica e progressiva que aparece normalmente após a meia-idade. À medida que a doença se desenvolve, os pacientes perdem gradualmente a capacidade de controlar os movimentos, ficando com dificuldades em andar, falar e cuidar de si próprias.
 

A doença de Parkinson afeta as células cerebrais que libertam a dopamina, uma molécula que é importante para o controlo do movimento. As células gradualmente deterioram-se e morrem.
 

Os métodos atuais de tratamento da doença de Parkinson têm por alvo a perda da dopamina através de fármacos ou de intervenção cirúrgica com estimulação cerebral profunda. Contudo, segundo os autores do estudo, estes tipos de tratamento têm por alvo os sintomas dos pacientes, como a melhoria da mobilidade nos estádios iniciais da doença, mas não são capazes de abrandar ou impedir a progressão da doença.
 

Para o estudo, os investigadores liderados por Kwang-Soo Kim focaram-se no papel do recetor Nurr1, uma proteína cerebral que se acredita ter um papel protetor sobre as células produtoras de dopamina. Esta proteína é importante, por um lado, no desenvolvimento e manutenção das células produtoras de dopamina e, por outro, na proteção destas em relação à morte induzida pela inflamação.
 

Estudos anteriores haviam já sugerido que o recetor Nurr1 poderia funcionar como um potencial alvo do tratamento da doença de Parkinson, embora ainda não se tivesse encontrado uma molécula capaz de se ligar a este recetor.
 

Após terem rastreado mais de mil medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), os investigadores encontraram dois fármacos antimaláricos – a cloroquina e a amodiaquina – que aumentam ambos os efeitos protetores do Nurr1.
 

O estudo apurou que quando estes fármacos foram testados em ratinhos com sintomas de Parkinson, o controlo dos seus movimentos melhorou e os animais não apresentaram sinais detetáveis de discinesia, um efeito secundário muitas vezes associado aos fármacos atuais.
 

Os autores do estudo concluem que estes resultados são uma prova de que as moléculas pequenas que tenham por alvo o Nurr1 podem ser utilizadas contra a progressão da doença de Parkinson.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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