Doença de Parkinson: pequenas mutações podem ter um grande impacto

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

01 setembro 2016
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Investigadores do Reino Unido descobriram que pequenas alterações na sequência de uma proteína envolvida na doença de Parkinson, a alfa-sinucleína, podem ter um grande impacto nos processos microscópicos que ocorrem no cérebro e eventualmente resultar no desenvolvimento da condição, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

A alfa-sinucleína é uma proteína constituída por 140 aminoácidos e, em condições normais, desempenha um papel importante na fluidez dos sinais químicos no cérebro. Apesar de ainda não se conhecer ao certo a origem da doença de Parkinson acredita-se que o funcionamento da alfa-sinucleína tem um papel chave. Em vez de adquirir uma conformação específica necessária para levar a cabo as suas funções, quando mutada esta proteína começa a agrupar-se, criando estruturas tóxicas como placas amiloides, cujos depósitos, no caso da doença de Parkinson, são conhecidos por corpos de Lewy.
 

No estudo, os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisaram formas mutadas da alfa-sinucleína encontradas em indivíduos com antecedentes familiares da doença. Em alguns casos, estas mutações envolveram apenas a alteração de um aminoácido.
 

Apesar de as diferenças serem pequenas, os investigadores verificaram que estas podiam ter um grande efeito na rapidez ou lentidão com que as fibrilas se começavam a formar. Verificou-se que as mutações também têm uma influência forte num processo conhecido por nucleação secundária que está envolvido na disseminação da doença.
 

No entanto, os investigadores referem que estes achados não explicam por que motivo a doença de Parkinson tem início. Na verdade, esta condição nem sempre surge como resultado de mutações, tendo causas múltiplas e complexas que ainda não estão perfeitamente compreendidas.
 

Contudo, Patrick Flagmeier, o líder do estudo, referiu que estes achados podem ajudar a compreender de que modo a doença surge e a desenvolver estratégias terapêuticas para a combater.
 

“A nossa esperança é que este estudo venha a contribuir para o esforço global no sentido de compreender por que as pessoas com estas mutações têm esta doença com mais frequência ou mais cedo na vida”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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