Doença de Parkinson: nova estratégia de proteção?

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

22 julho 2016
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Investigadores americanos descobriram que uma interação entre um gene mutado e a alfa-sinucleína nos neurónios conduz às patologias características da doença de Parkinson, dá conta um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.
 

Os investigadores da Universidade de Alabama, nos EUA, demonstraram que a causa genética mais comum da doença de Parkinson, uma mutação na enzima cinase LRRK2, contribui para a formação de inclusões nos neurónios, que se assemelha às patologias típicas observadas na doença de Parkinson.
 

O estudo apurou que estas inclusões são constituídas por agregados da proteína alfa-sinucleína em que a sua formação pode ser impedida através da utilização de fármacos capazes de inibir a enzima cinase LRRK2 e que se encontram atualmente em desenvolvimento para utilização clínica.
 

Na opinião dos investigadores, a interação entre a enzima cinase LRRK2 mutada e a alfa-sinucleína pode revelar novos mecanismos e alvos para a neuroprotecção. “Estes resultados demonstram que a formação de inclusões de alfa-sinucleína nos neurónios podem ser bloqueada e que os novos compostos terapêuticos que têm por alvo este processo ao inibir da atividade da cinase LRRK2 podem retardar a progressão da patologia associada à doença de Parkinson”, referem, em comunicado, os investigadores liderados por Andrew B. West.
 

Os investigadores referem que as potenciais aplicações clínicas para as novas estratégias neuroprotetoras na doença de Parkinson associada à cinase LRRK2 mutada necessitam de ser testadas noutros modelos pré-clínicos da doença.
 

“Estes dados dão-nos a esperança em relação ao potencial clínico dos inibidores da cinase LRRK2 como terapias eficazes para a doença de Parkinson,” referiu a primeira autora do estudo, Laura A. Volpicelli-Daley.
 

A investigadora acrescentou que os inibidores da cinase LRRK2 podem impedir a disseminação da alfa-sinucleína patológica, não apenas nos pacientes com mutações na cinase LRRK2, mas em todos aqueles afetados pela doença de Parkinson. Contudo, a segurança e eficácia destes inibidores têm de ser validadas antes de estes serem testados em ensaios clínicos humanos.
 

Para além da doença de Parkinson, a alfa-sinucleína desempenha também um papel importante durante o processo de desenvolvimento da demência com corpos de Lewy e atrofia multissistémica, e está associada à doença de Alzheimer e a outras doenças neurodegenerativas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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