Doença de Parkinson: fármaco mostra-se eficaz

Estudo publicado no “Journal of Parkinson's Disease”

14 julho 2016
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Um fármaco já aprovado contra a leucemia aumenta significativamente a dopamina no cérebro e pode reduzir os níveis de proteínas tóxicas associadas à progressão da doença de Parkinson ou demência de corpos de Lewy, dá conta um estudo publicado no “Journal of Parkinson's Disease”.
 

Para o estudo, os investigadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos EUA, testaram o efeito da toma diária de nilotinib ao longo de seis meses, tendo sido utilizadas doses bastante menores do que aquelas utilizadas na leucemia mieloide crónica.
 

No total foram incluídos 12 pacientes no ensaio clínico, um dos quais desistiu devido a um efeito adverso. Contudo, o fármaco pareceu ser seguro e foi bem tolerado pelos restantes pacientes. Para além da segurança, os investigadores também analisaram marcadores biológicos presentes no sangue e no líquido cefalorraquidiano, assim como melhorias cognitivas, motoras e não motoras.
 

O estudo apurou que o nilotinib pode, de facto, ser benéfico para os pacientes com doenças neurodegenerativas. Verificou-se que o nível do metabolito ácido homovanílico (indicador da produção da dopamina) duplicou de forma constante, mesmo com a perda da maioria dos neurónios produtores de dopamina. A maioria dos pacientes deixou de tomar ou reduziu a frequência das terapias de substituição da dopamina.
 

Os investigadores também verificaram que os níveis do marcador do stress oxidativo da doença de Parkinson, o DJ-1, que indica que os neurónios produtores de dopamina estão a morrer, diminuíram em mais de 50% após o tratamento com nilotinib. Constatou-se ainda que os níveis de marcadores de morte celular reduziram significativamente no líquido cefalorraquidiano, sugerindo que ocorreu uma diminuição da morte dos neurónios.
 

Charbel Moussa, um dos autores do estudo, referiu que o nilotinib parece atenuar a perda da alfa-sinucleína no líquido cefalorraquidiano, uma proteína tóxica que se acumula nos neurónios. Os 11 pacientes que toleraram o fármaco apresentaram melhorias clínicas significativas. Todos os pacientes encontravam-se num estadio médio a avançado da doença de Parkinson e todos apresentavam deterioração cognitiva ligeira a grave.
 

Apesar de os pacientes terem apresentado melhorias nas funções cognitivas e motoras, enquanto estavam a tomar o fármaco, três meses após a interrupção do tratamento estes efeitos benéficos desapareceram.
 

“A nossa esperança é clarificar os benefícios do nilotinib em pacientes no estudo mais alargado e controlado. Este é um começo muito prometedor. Se os dados se mantiverem noutros estudos, o nilotinib poderá ser o tratamento mais importante para a doença de Parkinson, desde a descoberta do Levodopa há quase 50 anos”, conclui Charbel Moussa.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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