Doença de Parkinson: é uma doença autoimune?

Estudo publicado na “Cell”

29 junho 2016
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Investigadores do Canadá descobriram que dois genes associados à doença de Parkinson são reguladores chave do sistema imunitário, dá conta um estudo publicado na revista “Cell”.
 

Através de modelos de ratinhos e de células, os investigadores das universidades de Montreal e McGill, no Canadá, demonstraram que as proteínas codificadas pelos dois genes, o PINK1 e o Parkin, são necessárias para impedir que as células sejam detetadas e atacadas pelo sistema imunitário.
 

Quando a PINK1 e a Parkin perdem funcionalidade, como no caso de um subtipo de pacientes com Parkinson, as células apresentam pequenas porções de proteínas à superfície, conhecidas por antigénios, provenientes da mitocôndria. A presença deste antigénios à superfície ativa um tipo de células imunitárias conhecidas por linfócitos T. Estes linfócitos, que conseguem entrar no cérebro, têm a capacidade de destruir qualquer célula que apresente antigénios mitocôndrias à superfície.
 

A doença de Parkinson é causada pela morte de neurónios produtores de dopamina no cérebro. Um sistema imunológico hiperativo devido à presença dos genes PINK1 e Parkin disfuncionais pode explicar por que os neurónios dopaminérgicos morrem em pacientes com doença de Parkinson. Isto indica que a doença de Parkinson pode ser uma das muitas doenças autoimunes, as quais ocorrem quando o próprio sistema imunológico ataca as células saudáveis.
 

Agora que já se estabeleceu uma ligação entre dois genes chave envolvidos na patologia da doença de Parkinson e os mecanismos autoimunes, os investigadores, liderados por Michel Desjardins, referem que o próximo passo envolve o desenvolvimento de fármacos que limitem a apresentação de antigénios mitocondriais.  
 

Na opinião dos investigadores estes resultados podem conduzir a melhores tratamentos para outras doenças. “Acreditamos que o nosso estudo é mudança de paradigma, porque identificámos uma nova via biológica que associa a mitocôndria a mecanismos imunes na doença de Parkinson. Isto abre a possibilidade de utilizar terapias com base na modulação do sistema imune, algo que já é feito para o tratamento de outras doenças", referiu, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Michel Desjardins acrescentou que é interessante notar que o papel desempenhado pelo PINK1 e Parkin em limitar a apresentação de antigénios mitocondriais podem não só regular um processo que tem impacto na doença de Parkinson, mas também pode afetar outras doenças autoimunes como a diabetes e lúpus, e cirrose biliar primária.
 

“Este estudo evidencia um mecanismo completamente novo no qual estas mutações recessivas e hereditárias podem conduzir à neurodegeneração”, concluiu Jon Stoessl da Universidade da Colômbia Britânica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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