Doença de Parkinson e o efeito placebo

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

28 novembro 2014
  |  Partilhar:

Um placebo é capaz de melhorar tanto a atividade cerebral associada à aprendizagem nos indivíduos com doença de Parkinson quanto um fármaco, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”.

 

Estudos anteriores demonstraram que, apesar de a doença de Parkinson ser uma realidade neurológica, os sistemas cerebrais envolvidos também podem ser afetados pelas expectativas que os pacientes têm sobre o tratamento.

 

Os indivíduos com doença de Parkinson têm dificuldade com a "recompensa da aprendizagem", a capacidade de o cérebro associar ações a recompensas e tomar decisões motivadas para obter resultados positivos. A recompensa da aprendizagem é suportada por neurónios que emitem dopamina quando uma ação, como apertar um botão, conduz a uma recompensa, nomeadamente receber dinheiro.

 

A recompensa da aprendizagem está afetada nos pacientes com doença de Parkinson, pois a doença faz com que os neurónios que libertam dopamina morram. Estes pacientes podem ser tratados para esta condição com um medicamento que aumenta a dopamina no cérebro, o L-dopa.

 

Para o novo estudo, os investigadores da Universidade de Colorado Boulder e da Universidade de Columbia, nos EUA, submeteram 18 indivíduos com doença de Parkinson a uma ressonância magnética funcional para analisar os seus cérebros enquanto estes jogavam um jogo de computador que media a recompensa da aprendizagem.

 

No jogo, os participantes descobriam através de tentativa e erro, qual símbolo (de dois possíveis) conduzia mais provavelmente a um melhor resultado, que consistia numa pequena recompensa monetária ou simplesmente em não perder dinheiro.

 

Os pacientes praticaram este jogo em três ocasiões distintas: quando não estavam a tomar qualquer medicação, quando estavam a tomar medicação (dissolvida em sumo de laranja), e quando estavam a tomar um placebo (apenas sumo de laranja).

 

Os investigadores descobriram que as áreas do cérebro ricas em dopamina e associadas à recompensa da aprendizagem, o corpo estriado e o córtex pré-frontal ventromedial, tornaram-se igualmente ativas quando os pacientes tomaram a medicação ou o placebo.

 

"Esta descoberta demonstra uma ligação entre a dopamina, a expectativa e a aprendizagem, referiu em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Tor D Wager. O investigador acrescentou que estes resultados sugerem que a expectativa e as emoções positivas têm o potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes com doença de Parkinson. Além disso, estes resultados podem ainda oferecer pistas sobre como os placebos podem ser eficazes no tratamento de outros tipos de doenças.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.