Doença de Parkinson: deterioração cognitiva afeta capacidade de comunicação

Estudo publicado no “Journal of Parkinson's Disease”

23 março 2016
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A detioração cognitiva pode afetar a capacidade de conversação dos indivíduos com doença de Parkinson mais do que os problemas físicos da fala, sugere um estudo publicado no “Journal of Parkinson's Disease”.
 

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa comum que afeta cerca de 1,5% das pessoas com mais de 65 anos na Europa. A condição foi originalmente caracterizada pelas suas particularidades motoras. No entanto, estudos recentes têm verificado que há uma grande variedade de sintomas não-motores, incluindo disfunção cognitiva em mais de um quarto dos pacientes.
 

“Cerca de 70% dos pacientes com doença de Parkinson têm problemas de fala e comunicação, que podem de facto afetar a qualidade de vida”, explicou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Maxwell Barnish.
 

Os investigadores e os médicos têm-se focado nos problemas físicos que os pacientes apresentam na articulação da fala. Contudo, os próprios pacientes referem que os problemas são mais complexos e estão mais associados aos distúrbios cognitivos, não conseguindo, por exemplo, pensar com a rapidez suficiente para manter conversas ou não serem capazes de encontrar as palavras adequadas.  
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de East Anglia e da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, realizaram uma revisão sistemática para analisar se seriam os problemas cognitivos ou a articulação da fala os principais entraves à comunicação quotidiana. Após terem analisado cinco mil estudos, selecionaram 12 que envolveram 222 pacientes.
 

O estudo apurou que tanto os problemas da função cognitiva como os da articulação da fala estavam associados a problemas de comunicação quotidiana dos pacientes. Contudo, aqueles que apresentavam maiores dificuldades cognitivas tinham maior dificuldade na comunicação. Além disso, apesar de os pacientes com um discurso menos claro terem problemas de comunicação, este fator teve menos impacto na comunicação diária.  
 

Este estudo sugere que “os terapeutas da fala necessitam de avaliar os problemas cognitivos dos pacientes com doença de Parkinson, assim como a clareza do discurso, quando estão a tentar melhorar a comunicação quotidiana. Os pacientes com dificuldades no raciocínio rápido talvez necessitem de estratégias de comunicação diferentes para os ajudar na vida quotidiana”, revelou uma das autoras do estudo, Katherine Deane.
 

A investigadora acrescentou que, antes de terem iniciado o estudo, ouviram as necessidades dos pacientes e perceberam que muita da investigação realizada até à data não tinha dado prioridade ao que é realmente importante para os pacientes com doença de Parkinson, bem como para as famílias e cuidadores.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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