Doença de Parkinson: descoberta proteína chave

Estudo da Universidade de Lisboa

04 janeiro 2016
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Investigadores do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa descobriram uma proteína, até agora subvalorizada na doença de Parkinson, que pode, afinal, ter um papel importante.
 
O grupo liderado pela dupla Sandra Tenreiro e Tiago Outeiro estudou em detalhe a proteína beta-sinucleína, que é da mesma família da alfa-sinucleína e que é tida como crucial no desenvolvimento da doença degenerativa. O estudo publicado na revista “Human Molecular Genetics” apurou que a beta-sinucleína poder ser igualmente tóxica para as células e interage com a alfa-sinucleína.
 
"Talvez possamos utilizar esta proteína a beta-sinucleína, como alvo terapêutico para a doença de Parkinson, testar estratégias capazes de interferir com a toxicidade desta proteína", revelou à agência Lusa Tiago Outeiro.
 
Os investigadores estudaram a toxicidade da proteína beta-sinucleína na levedura, célula simples, mais fácil de manipular geneticamente, mas cujo funcionamento não difere muito do da célula humana. Posteriormente, os resultados foram validados em linhas celulares humanas, linhas derivadas de células do cérebro, mas cultivadas em laboratório. Em ambos os casos, as células entraram em stress e morreram quando produziam "níveis mais elevados" da beta-sinucleína.
 
"Mais do que demonstrar a toxicidade da proteína beta-sinucleína, o nosso estudo abre portas a novas perguntas e relembra-nos que há ainda muito a fazer para se compreender a base molecular destas doenças a que chamamos sinucleinopatias", como a doença de Parkinson, disse Tiago Outeiro.
 
O investigador acrescenta que "o desenvolvimento de terapias eficazes passa por primeiro entender os mecanismos moleculares que estão na origem da doença", salientando que, "até agora, era sabido que a formação de aglomerados da proteína alfa-sinucleína no cérebro é um aspeto central na doença" de Parkinson. 
 
Os autores do estudo referem que os neurónios afetados "acabam por morrer, o que dificulta a transmissão de mensagens no cérebro e o controlo do movimento, levando ao aparecimento da doença".
 
De acordo com a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, a doença de Parkinson não tem cura e afeta os movimentos corporais, conduzindo a tremores, rigidez, instabilidade na postura e a alterações na marcha. Em Portugal esta doença afeta 20 mil pessoas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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