Doença de Parkinson: composto é capaz de inibir a formação de agregados tóxicos

Estudo publicado no “Proceedings of The National Academy of Sciences”

23 janeiro 2017
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Uma equipa internacional descobriu que um composto natural é capaz de bloquear o processo que se acredita estar na base da doença de Parkinson, e de impedir os seus efeitos tóxicos, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of The National Academy of Sciences”. 
 
O estudo conduzido pelos investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, da Universidade de Georgetow e pelo Instituto Nacional de Saúde, nos EUA, sugere que o composto, a esqualamina, pode ser explorado de várias formas como um potencial tratamento para a doença de Parkinson.
 
A esqualamina é um esteroide que foi descoberto na década de 1990, em tubarões, apesar de a forma utilizada agora pelos cientistas ser um análogo mais seguro e sintético. Até à data, este composto tem sido extensivamente investigado no âmbito de tratamentos anti-infeciosos e anticancerígenos.
 
Contudo, este estudo, que também contou com a colaboração de investigadores holandeses, italianos e espanhóis, apurou que a esqualamina também inibe a formação precoce de agregados tóxicos da proteína alfa-sinucleína, um processo que se acredita que inicie uma reação em cadeia de eventos moleculares que eventualmente conduzem à doença de Parkinson. Verificou-se também que o composto era capaz de suprimir a toxicidade destas partículas tóxicas.
 
No estudo, os investigadores liderados por Christopher Dobson, exploraram a capacidade da esqualamina deslocar a alfa-sinucleína das membranas celulares. Este achado tem implicações importantes uma vez que a proteína liga-se às membranas de estruturas minúsculas denominadas por vesículas sinápticas, que ajudam a transferir neurotransmissores entre os neurónios.
 
Em circunstâncias normais, a proteína auxilia o fluxo eficaz de sinais químicos, mas em alguns casos, começa a aglomerar-se e produz partículas tóxicas prejudiciais para as células cerebrais. Esta aglomeração é uma característica da doença de Parkinson.
 
Os investigadores decidiram analisar a interação entre a esqualamina, a alfa-sinucleína e as vesículas lipídicas. Verificou-se que a esqualamina inibia a agregação da proteína, reduzindo significativamente a taxa a que as partículas tóxicas eram formadas. Experiências realizadas em células neuronais humanas demonstraram que a esqualamina também era capaz de impedir a toxicidade destas partículas.
 
Na opinião dos investigadores, estes resultados sugerem que a esqualamina pode ser utilizada como base de um tratamento que tenha por alvo pelo menos alguns sintomas da doença de Parkinson.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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